Se existe uma certeza deixada pelo revival dos anos 1980, é esta: todas queremos volume nos fios. Depois de temporadas dominadas por cabelos polidos, lisos e perfeitamente controlados, a beleza parece finalmente interessada em recuperar o movimento, a textura e aquela sensação deliciosamente exagerada de cabelo cheio. Franjas desfiadas, ondas amplas, camadas e escovas monumentais voltam ao repertório — agora com uma leitura contemporânea.

O cabelo com camadas, pontas abertas e volume lateral, que se tornou símbolo dos anos 1970 e 1980, reaparece nas redes em versões atualizadas. “Uma das principais referências é a atriz Farrah Fawcett, que se tornou um ícone da franja desfiada e volumosa”, explica Dougllas Dias, hairstylist do The Art Salon.

Farrah Fawcett- Foto: Wikimedia Commons

A franja pode ganhar diferentes interpretações: para a lateral, ao meio, com bastante volume ou em uma versão mais leve. Para reproduzir o efeito em casa, Dougllas recomenda mousse, bobes e uma escova bem volumosa. “Para completar, o ideal é utilizar o jato de ar frio, ajudando a fixar o formato e proporcionar mais durabilidade.”

Ondas, mas com atitude

As ondas também entram nessa nova obsessão pelo volume. Para quem quer experimentar o visual em casa, babyliss e triondas são os aliados mais óbvios. Dependendo da textura do cabelo, o difusor também pode ajudar a construir o efeito. Mas há uma regra que não muda: antes de qualquer ferramenta térmica, é indispensável proteger os fios.

Para um resultado mais duradouro, existe ainda o permanente — que volta a despertar interesse justamente porque entrega uma transformação mais definitiva. Mas, aqui, a nostalgia precisa vir acompanhada de cautela. “O permanente é um procedimento extremamente delicado, que exige cuidado, conhecimento técnico e muita atenção”, alerta Dougllas.

Sarah Jessica Parker- Foto: Reprodução/Avenue K Blog

A combinação de produtos químicos pode provocar corte químico, especialmente em cabelos que já passaram por outros procedimentos. Por isso, antes de aderir aos cachos permanentes ou às ondas mais duradouras, é fundamental avaliar a saúde dos fios e possíveis incompatibilidades químicas.

A volta dos bobes: Os bobes nunca desapareceram completamente dos salões, mas agora ganham protagonismo justamente por entregar aquilo que o momento pede: volume desde a raiz, movimento e uma aparência menos rígida.

“Existem algumas técnicas para conquistar um resultado firme e duradouro. A primeira delas é o uso de bobes, uma técnica clássica utilizada há décadas”, diz Dougllas. “Outra possibilidade é o modelador de cachos largo, capaz de criar volume desde a raiz”. Mas, segundo o hairstylist, o instrumento é apenas parte da equação. “Para obter um resultado realmente satisfatório, é essencial que a escova modelada seja bem executada.”

Produtos também fazem diferença. Para que o cabelo permaneça cheio por mais tempo, a dica é apostar em fórmulas aplicadas na raiz que ofereçam volume, textura e fixação. Afinal, o objetivo agora não é aquele volume que desaba dez minutos depois de sair de casa, mas um cabelo que sustente sua forma e seu movimento.

Heather Locklear nos anos 1980- Foto: @vintage.everyday

Camadas que fazem a diferença: O corte Butterfly continua especialmente atual. Com suas camadas marcadas e referências ao mullet, ele oferece uma espécie de arquitetura pronta para diferentes finalizações. Pode aparecer extremamente volumoso e texturizado ou assumir uma versão mais suave, com beach waves.

“O corte Butterfly trouxe ainda mais versatilidade aos cabelos. O grande diferencial está na finalização”, explica Dougllas. “O corte permite diferentes possibilidades de styling e adaptação ao estilo de cada pessoa.”

Foto: Dougllas Dias- Divulgação