Por Priscila Correia (@aventurasmaternas)

Já passou um mês desde o início do ano letivo, mas ainda há crianças que sofrem ao ver os pais indo embora pelo portão, e o que deveria ser um momento de socialização, aprendizado e brincadeiras se torna uma agonia para toda a família. Para ajudar na tarefa de tranquilizar as crianças, sem traumas, buscamos algumas dicas com as coordenadoras pedagógicas de duas tradicionais escolas do Rio de Janeiro, Pedra da Gávea e MOPI. Confiram:

1. “A adaptação não é responsabilidade apenas da criança, da família ou da escola. Quando os pais confiam na escola, nos educadores, eles ‘autorizam’ as crianças a também confiarem no novo espaço e nos adultos que ali estão. Confiança é uma conquista diária, precisa haver troca, verdade, parceria. Por isso a importância do diálogo entre família e escola. A melhor dica é não ir para casa com dúvidas. Procure a escola e converse quantas vezes precisar”, explica Daniella Mello, gestora pedagógica da Escola Pedra da Gávea.

2. “Quanto mais segurança a família transmitir à criança, mais tranquilos os filhos se sentirão. Se a família mostra medo de alguma forma, por exemplo, questionando se a nova professora irá gostar do filho, obviamente, é criada na criança uma expectativa e um temor para aquele ano. Por outro lado, quando a família demonstra um movimento bacana em relação às aulas, destacando, por exemplo, que a criança aprenderá novas coisas ao longo do ano, quando é trabalhado o nível de autonomia e maturidade daquele aluno, raramente aquela criança terá um problema de adaptação. Salvo quando a criança já apresenta características como menor autoconfiança e temor de aceitação do outro. Geralmente, a aceitação é do adulto. Ou, claro, quando há uma mudança de escola, isso é mais comum que aconteça”, diz a psicopedagoga e orientadora educacional do colégio MOPI, Adriana Ferreira.

3. “Algumas vezes, levar um objeto de preferência da criança para o espaço escolar ajuda. O item transicional traz segurança e a lembrança de um pedacinho da casa. Aproveite para contar aos educadores as preferências da criança (brinquedos, alimentos, brincadeiras), como reage quando contrariada, quando sente sono… Uma boa conversa trará mais benefícios para você e encurtará caminhos para o educador adaptar seu filho”, conta Daniella Mello.

4. “Se a criança nunca teve problema anterior, é urgente que agentes educacionais se debrucem para entender os motivos pelos quais aquela criança naquele ano não está conseguindo se adaptar. E pedir ajuda terapêutica e profissional é fundamental, porque é outro elemento que não tem a visão da escola e que não é a visão da família. E que virá para efetivamente tratar e perceber qual a visão da criança. Até porque isso pode ter um aspecto ligado às questões psíquicas dela. Isso é muito mais comum a partir da transferida de outra escola”, lembra Adriana Ferreira.

5. “É importante respeitar o cochilo da criança. O soninho na primeira infância é saudável. Dar preferência pela escolha do horário escolar, em que ela está mais disposta, também é necessário. Caso a escolha da família seja pelo horário integral, melhor optar pela adaptação dos primeiros dias em que o aluno está mais disposto e sem sono, isso facilita o processo”, alerta Daniella Mello, gestora pedagógica da Escola Pedra da Gávea.