Sheikh Mohammed bin Nasser Al Thani – Foto: Divulgação

Desde criança, Sheikh Mohammed bin Nasser Al Thani convive com cavalos árabes — animais que, para ele, representam muito mais do que nobreza e beleza: são símbolos vivos de herança, resistência e identidade cultural. “Minha paixão pelos cavalos árabes começou na infância. Fui criado em um ambiente onde os cavalos são símbolos de herança, beleza e resistência. Convivo com cavalos árabes desde os seis anos de idade”, relembra. Aos dez, começou a montar. Depois, competiu profissionalmente em salto. “A conexão com os cavalos me acompanha desde então.”

Hoje, à frente do Global Champions Arabians Tour, o Sheikh está à frente de uma das iniciativas mais elegantes e ambiciosas do mundo equestre. Mas o que o fascina nesses animais vai além do desempenho ou do prestígio. “Os cavalos árabes possuem uma inteligência, presença e elegância únicas. Eles se portam com orgulho e suavidade ao mesmo tempo — um equilíbrio extraordinário entre força e sensibilidade, algo difícil de descrever até que você viva essa experiência de perto.”

O envolvimento com o universo equestre, no entanto, exige mais do que paixão: requer conhecimento técnico, paciência e visão. “Criar cavalos é tanto uma ciência quanto uma arte. Requer conhecimento profundo, visão de longo prazo e cuidados constantes. É um compromisso que exige dedicação total”, afirma. Embora não atue como criador diretamente, acompanha de perto os destaques do Tour e celebra os talentos que vêm surgindo em diferentes partes do mundo.

Durante sua recente visita ao Brasil, onde participou de uma das etapas do Tour, Sheikh Mohammed ficou tocado com o acolhimento. “Foi realmente especial. O calor humano do povo brasileiro, a energia do público e o nível de organização superaram todas as expectativas. Foi um capítulo memorável na história do Tour”, diz. E completa: “Desde o momento em que chegamos, sentimos uma recepção calorosa e um entusiasmo compartilhado. Ficou claro que a paixão pelos cavalos transcende fronteiras — e isso foi muito comovente.”

Sobre o mercado brasileiro, ele enxerga um futuro promissor. “O Brasil tem uma comunidade crescente e apaixonada por cavalos árabes. Existe uma valorização genuína pela história e pela estética da raça, e vejo um grande potencial para desenvolvimento — não apenas na criação, mas também na colaboração internacional.”

A rotina do Sheikh reflete o equilíbrio entre tradição e dinamismo. “Minhas manhãs geralmente são focadas em trabalho e reuniões, mas com 14 eventos na temporada e todas as viagens, ainda assim preciso encontrar tempo para mim. Acredito em manter conexão com o que me fundamenta — e vou à academia todos os dias.” Ele conta que segue uma estrutura geral, mas com espaço para adaptações: “A vida, especialmente nesta área de atuação, raramente é previsível — e aprendi a me adaptar sem perder o foco.”

Em meio à intensa agenda, ele valoriza os pequenos momentos que recarregam a energia. “Procuro aproveitar pequenos momentos de silêncio, que podem ter um grande impacto. O tempo com a família e a prática de exercícios físicos são coisas que me restauram.”

Para Sheikh Mohammed, o evento no Brasil deixou marcas profundas, tanto emocionais quanto culturais. “Acredito que cada edição vai aprofundar a conexão entre o Brasil e o universo dos cavalos árabes. Esperamos ver ainda mais participação, troca cultural e novas parcerias que enriqueçam o esporte em ambos os lados.” Ele enxerga afinidades entre os mundos árabe e brasileiro: “Ambas as culturas valorizam a família, a herança e a generosidade. Vejo um respeito mútuo crescente e muita curiosidade — e acredito que, por meio de iniciativas como o Tour, podemos construir laços ainda mais fortes.”

Mesmo sem conseguir explorar o país com calma, a energia local o encantou: “Senti que o Brasil é vibrante, diverso e cheio de vida. O que mais me marcou foi a energia das pessoas. No evento, o público era vibrante e cheio de paixão — isso foi realmente inspirador.” E claro, não faltou espaço para uma descoberta gastronômica: “Pão de queijo! É simples, mas delicioso.”

Apesar de tantos feitos, sua motivação vem de algo maior. “Acho que o verdadeiro sonho é construir algo que dure. Seja no esporte, na cultura ou na comunidade, criar um impacto que vá além da nossa vida é mais importante do que qualquer posse — e esse é o propósito do Global Champions Arabians Tour.”

Mesmo minimalista quando se trata de estilo pessoal, o Sheikh não deixa de reconhecer o poder da moda como linguagem silenciosa. “Vejo a moda como uma forma de expressão. Ela deve refletir quem você é e de onde você vem — sem que seja necessário dizer uma palavra.”

Por fim, o que o move diariamente é simples e poderoso: “O desejo de honrar aquilo que recebi e de contribuir com algo significativo. O Tour é sobre construir pontes e deixar um legado que realmente importe.”