
O Miami Open Presented by Itaú acontece no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, na Flórida (Foto: divulgação)
Por Pedro Gerab, de Miami
Enquanto o Miami Open se consolidava como uma espécie de extensão do Brasil em Miami — com arquibancadas cada vez mais tomadas por sotaques conhecidos —, o Itaú avançava em outra frente: ampliar sua presença internacional e transformar o torneio em plataforma de negócio. Os números ajudam a explicar essa convergência. Na edição de 2026, 19 mil brasileiros passaram pelo complexo do Hard Rock Stadium — mais que o dobro do ano anterior —, e 11 mil deles circularam pelo lounge exclusivo do Personnalité, contra 7 mil em 2025 e 3 mil no ano anterior. A venda de ingressos especiais para clientes cresceu 43%. Para o superintende de conexões e experiências de marca, Rodrigo Montesano, o Miami Open tem no Brasil uma audiência televisiva superior à do Australian Open — um Grand Slam. “O brasileiro está encontrando no Miami Open quase o seu torneio preferido”, diz ele.
Esse movimento acontece em paralelo a uma estratégia mais ampla. No dia 13 de março, enquanto o torneio acontecia — e a quadra central seguia com partidas do chaveamento principal, com nomes como Sinner e Zverev ainda em disputa —, o banco protocolou o pedido para operar como banco múltiplo nos Estados Unidos, um passo que permite atender US tax payers, ampliar a oferta de produtos como financiamento imobiliário e novos cartões, e estruturar uma operação internacional que acompanha a vida cada vez mais global do cliente. A previsão é que a licença seja aprovada no primeiro trimestre de 2027.

O lounge exclusivo do Itaú Personnalité recebeu 11 mil clientes em 2026 — três vezes mais do que dois anos antes (Foto: divulgação)
Não é exatamente uma mudança de rota, mas uma evolução de longo prazo. A relação do Itaú com o tênis começa há mais de cinco décadas, quando patrocinou a primeira transmissão do esporte na TV brasileira, na TV Tupi — e chega a 2026 com o patrocínio à plataforma de tênis da CazéTV e a transmissão do Miami Invitational, em dezembro, via GE TV no YouTube. Passa pela Copa Itaú de Tênis, pelos Challengers, e desemboca no Miami Open, onde o banco está há 19 anos — os últimos 12 como presenting sponsor, com naming rights, desenho do troféu e criação anual da toalha e do boné oficial entregues na final.
Neste ano, foram sete clínicas de tênis exclusivas para clientes em diferentes segmentos, uma delas com a presença de Bia Haddad Maia — a primeira atleta em atividade patrocinada pelo banco em cinco décadas de história no esporte, e a de melhores resultados desde Maria Esther Bueno. “A gente termina um ano já pensando o que vai fazer no ano seguinte”, resume Montesano. Se antes a presença no torneio se concentrava no Private Bank, hoje ela se expande — e o papel do Miami Open dentro dessa equação mudou. O rebranding do Personnalité, em 2023, triplicou a capacidade de aquisição de clientes e abriu espaço para que o tênis também fizesse sentido para esse público, que completa 30 anos em 2026 com cerca de 2 milhões de clientes.

Bia Haddad Maia, primeira atleta em atividade patrocinada pelo Itaú em cinco décadas de história no tênis. (Foto: Divulgação)
CLIENTES MIRINS
Foi no próprio Miami Open que o banco escolheu anunciar dois novos produtos do segmento: a Conta Global, que permite gerenciar contas em dólar e euro dentro do mesmo SuperApp sem troca de plataforma, e a Conta Filhos, voltada a jovens de 8 a 17 anos, co-criada com filhos dos próprios clientes. O cartão vem acompanhado de uma caneta para personalização — um detalhe que surgiu dos próprios jovens no processo de desenvolvimento. “A primeira coisa que eles pediram foi: eu quero o cartão com a minha cara”, conta Adriana dos Santos, diretora do segmento. A conta inclui Cofrinhos com rendimento de 100% do CDI, controle parental integrado ao aplicativo dos pais e entrada direta no segmento Personnalité — e, aos 18 anos, uma conta individual no mesmo segmento, sem ruptura de experiência. A projeção é alcançar 1.400 filhos de clientes até o final do ano, com lançamento para toda a base em abril. “A gente quer ser relevante na vida do cliente — não só oferecer produtos”, reforça.
Esse movimento conversa diretamente com a operação do Itaú, que hoje é o maior private bank da América Latina no mercado onshore, com R$ 1,1 trilhão sob gestão e 31% de participação de mercado no Brasil. Do portfólio offshore — cerca de 60 bilhões de dólares —, dois terços estão em Miami e um terço na Suíça, onde o banco quer construir um hub para atender o cliente latino que está migrando para a Europa. A plataforma opera em arquitetura aberta, com um único banqueiro que oferece visão consolidada do patrimônio global — on e offshore —, sem o conflito de interesse que existe em modelos com equipes separadas para cada operação. “A gente quer atender o cliente globalmente, com uma visão 360 do patrimônio”, resume o diretor global do Itaú Private Bank, Fernando Beyruti.

complexo do Hard Rock Stadium abriga a principal quadra do torneio, com capacidade para milhares de espectadores. (Foto: Divulgação)
A mudança não é só financeira, mas comportamental. Filhos estudando fora, famílias distribuídas entre países e uma demanda crescente por diversificação transformaram a relação com o dinheiro — e criaram uma segunda geração de clientes que o banco quer acompanhar antes mesmo do evento de liquidez acontecer. “Private não é um negócio transacional, é geracional”, diz o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira. “Se você esperar o evento de liquidez para o cliente lembrar de você, não vai.” É nesse contexto que o Miami Open ganha outra dimensão. Mais do que um ativo de marca, o torneio funciona como ambiente de relacionamento — um espaço onde clientes circulam, se encontram e, às vezes, decidem, com conversas que começam entre um jogo e outro, sem pauta nem mesa marcada. O produto para o filho, o lounge para o cliente de alta renda, a estrutura internacional para quem já opera fora do Brasil: tudo coexistindo no mesmo complexo, na mesma semana.
MÚSICA COMO EXPERIÊNCIA
No início de março, o Itaú anunciou uma nova frente de atuação no entretenimento, ampliando sua presença no território cultural com o lançamento do Itaú Live, plataforma dedicada à música ao vivo. A iniciativa organiza e potencializa a relação histórica do banco com a música em um modelo contínuo, que vai além de patrocínios pontuais. A proposta é conectar fãs, artistas e mercado por meio de experiências, benefícios e conteúdo. “A gente tá falando de uma plataforma, porque não é uma ação pontual. É potencialmente um grande laboratório, em que vamos produzir, criar e trazer inovação ao longo de centenas de shows”, afirmou Rodrigo Montesano, superintendente de experiências e conexões do Itaú.
Em parceria com a produtora 30e, o projeto prevê mais de 800 shows em cinco anos, com atuação em toda a jornada do fã, do planejamento à experiência ao vivo. “A ideia é que o fã não tenha perrengue, se preocupe somente com o show e viver a experiência”, completou. A plataforma também reforça o posicionamento do banco como agente ativo na cultura. “Não é sobre estar na música, é criar a música, se conectar com a música para potencializar o que acontece no Brasil”, destacou Montesano. Com benefícios como pré-venda exclusiva, descontos e experiências premium, o Itaú Live se ancora em um modelo fan centric. “A nossa plataforma é fan centrista. Ela foi pensada para os fãs e também pelos fãs”, resumiu.

Carlos Alcaraz, embaixador global do Itaú, em ação no Miami Open 2026 (Foto: Divulgação)
*Pedro Gerab viajou a convite do Itaú Unibanco. Colaborou: André Aloi

