Praça das artes, no centro de São Paulo, recebeu o primeiro desfile da marca de street. Foto: Zé Takahashi

Quem já não conhece a Pace? A marca de Felipe e Juliana Matayoshi tem muito mais a celebrar do que seus nove anos de história. A festa ganha um significado especial pela grande comunidade que hoje se enxerga e se veste com suas roupas, assim como pelo desfile realizado na Praça das Artes, que abre caminho para um novo momento da marca.

Com o mesmo objetivo desde que surgiu como marca de calçados, em 2017, a Pace sempre buscou dar voz e protagonismo a uma comunidade nem sempre lembrada na moda nacional: “A coleção tem como objetivo carregar essa mensagem de reconstrução da autoestima das pessoas que são imigrantes e descendentes de famílias asiáticas no Brasil.” Matayoshi sempre teve um olhar sutil às referências asiáticas na criação, deixando a silhueta guiar os caminhos que conectam suas origens à roupa.

Nessa passarela, porém, o caminho foi outro. A ideia foi mergulhar de vez nas referências diretas ao Oriente. Pense nas pregas inspiradas no hakama, agora incorporadas à alfaiataria, na silhueta do traje de kendo reinterpretada em looks contemporâneos e, claro, no trabalho artesanal de furoshiki, que surge em formas próximas ao origami. É o cruzamento de Brasil e Okinawa em forma de produto, como diz Felipe.

Com presença forte no mercado internacional e vendas quase esgotadas no atacado, Felipe aprendeu a navegar pelas páginas da vida, contornando dobra por dobra, sem perder a raiz que dá sentido ao seu trabalho. Um origami de toda a sua história.

Confira os detalhes do desfile: