
Desfile Shinya Kozuka – Foto: Divulgação
Ao longo desta semana, a Pitti Uomo voltou a reunir alguns dos principais nomes da moda masculina internacional. Realizada na histórica Fortezza da Basso, a feira recebeu marcas, compradores, jornalistas e criativos de diferentes partes do mundo em uma programação que antecipou tendências e revelou alguns dos movimentos mais relevantes do setor.
DSM Kei Ninomiya
Kei Ninomiya levou para a passarela uma visão punk e experimental do menswear para a primavera-verão 2027. Em sua estreia na feira à frente da DSM Kei Ninomiya — projeto lançado pela Dover Street Market em 2025 — o designer japonês apresentou uma coleção marcada por referências ao universo punk, com o uso de alfinetes de segurança, padronagens tartan, saias reinterpretadas para o guarda-roupa masculino e penteados com moicanos adornados por flores.

Foto: Divulgação
Conhecido pelo trabalho conceitual desenvolvido em sua marca noir kei ninomiya, o estilista revelou aqui uma faceta mais acessível, sem abrir mão da linguagem criativa que o tornou um dos nomes mais relevantes da nova geração japonesa. O resultado foi uma coleção que transitou entre rebeldia e delicadeza, reforçando a proposta da DSM de criar roupas sem fronteiras de gênero, idade ou definições rígidas.
Por que entrou no radar: a coleção reforça o retorno de uma estética punk reinterpretada de forma contemporânea, combinando elementos de subcultura, alfaiataria desconstruída e uma abordagem cada vez mais fluida da moda masculina.

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Jiyong Kim
Em vez de uma apresentação tradicional, a marca sul-coreana Jiyong Kim ocupou a Pitti Uomo com uma instalação imersiva que refletiu sua principal matéria-prima: o tempo. Conhecido pela técnica “Sun-Bleach”, que utiliza a ação do sol e dos elementos naturais para transformar tecidos ao longo de meses, o designer apresentou uma experiência que colocou em evidência os processos por trás das peças, e não apenas o resultado final.
A exposição reforçou a abordagem experimental da marca, que combina modelagens arquitetônicas, pesquisa têxtil e práticas sustentáveis para criar roupas únicas. Ao transformar a passagem do tempo em elemento de design, JiyongKim propõe uma reflexão sobre consumo, permanência e os ciclos naturais que moldam tanto as roupas quanto o mundo ao seu redor.
Por que entrou no radar: representa uma das discussões mais relevantes da moda contemporânea: a busca por processos mais conscientes, autorais e conectados à natureza. Em um momento em que o mercado procura novas formas de criar valor, Jiyong Kim mostra como inovação, sustentabilidade e experimentação podem caminhar juntas.
Sunflower
Como parte das celebrações dos 20 anos da Copenhagen Fashion Week, a dinamarquesa Sunflower apresentou um desfile especial na Pitti Uomo, marcando um novo capítulo para a marca fundada por Ulrik Pedersen. Conhecida por sua abordagem minimalista e atemporal, a grife levou a Florença uma coleção que refinou ainda mais sua identidade, equilibrando alfaiataria, denim, tricôs e peças de couro com uma estética discreta, porém precisa.
A apresentação reforçou a evolução da Sunflower, que vem conquistando espaço no cenário internacional ao propor um guarda-roupa masculino contemporâneo baseado em qualidade, permanência e design sem excessos. Em vez de seguir tendências passageiras, a marca aposta em roupas pensadas para durar e ganhar personalidade com o uso.
Por que entrou no radar: a nova geração do design escandinavo que combina apelo comercial e sofisticação criativa. Em um momento em que o mercado valoriza cada vez mais peças versáteis, bem construídas e longe do excesso de informação, a Sunflower surge como um dos nomes mais consistentes da moda masculina contemporânea.
Hed Mayner
Convidado especial da Pitti Uomo, Hed Mayner apresentou mais uma demonstração de sua habilidade em equilibrar volume, construção e fluidez. Conhecido por suas silhuetas amplas e pela abordagem quase arquitetônica da alfaiataria, o designer explorou uma coleção marcada por contrastes: tecidos metalizados, peças em couro, padronagens tartan e uma paleta de neutros renovada, que trouxe profundidade e sofisticação ao guarda-roupa masculino.
As proporções exageradas, já características de seu trabalho, apareceram combinadas a construções precisas e tecidos que criavam movimento, reforçando a ideia de uma moda masculina ao mesmo tempo confortável e altamente elaborada. O resultado foi uma coleção que transitou entre tradição e experimentação sem perder a elegância.
Por que entrou no radar: Hed Mayner segue sendo uma das vozes mais influentes da moda masculina contemporânea ao redefinir conceitos clássicos de alfaiataria e propor novas proporções para o vestir. Nesta temporada, sua combinação de volumes esculturais, texturas marcantes e uma nova leitura dos tons neutros sinaliza caminhos importantes para o menswear dos próximos anos.
Shinya Kozuka
Entre os nomes que reforçaram a forte presença japonesa nesta edição da Pitti Uomo, Shinya Kozuka apresentou uma coleção guiada por sua já conhecida abordagem artística da moda. Formado pela Central Saint Martins, em Londres, o designer transforma desenhos, pinturas e paisagens imaginadas em roupas, criando coleções que transitam entre a fantasia e o cotidiano.
Em Florença, sua proposta mais uma vez combinou referências do workwear, uniformes tradicionais japoneses e modelagens amplas com uma sensibilidade quase pictórica. As peças surgiram com proporções suaves, construções fluidas e um aspecto artesanal que reforça a ideia de roupa como expressão individual.
Por que entrou no radar: porque representa uma das vertentes mais interessantes da nova moda japonesa, que troca o excesso de informação por narrativas visuais e emocionais. Em um cenário cada vez mais voltado à construção de identidade, Shinya Kozuka mostra como arte, memória e vestuário podem coexistir de forma natural, oferecendo uma alternativa poética ao menswear contemporâneo.
Simone Rocha
Um dos momentos mais aguardados desta edição da Pitti Uomo foi a estreia de Simone Rocha com seu primeiro desfile independente dedicado exclusivamente ao menswear. Conhecida por construir um universo estético que mistura romantismo, rebeldia e referências históricas, a designer irlandesa levou para Florença uma coleção que ampliou sua já consolidada linguagem para o guarda-roupa masculino.
Rendas, bordados, pérolas, volumes dramáticos e elementos de inspiração vitoriana apareceram em diálogo com peças esportivas e construções contemporâneas, criando o contraste característico da estilista. O resultado foi uma coleção sensível e provocativa, capaz de desafiar convenções de gênero sem abrir mão da elegância e da sofisticação.
Por que entrou no radar: porque Simone Rocha continua expandindo os limites da moda masculina ao introduzir elementos tradicionalmente associados ao universo feminino em propostas cada vez mais naturais e desejáveis. Sua estreia na Pitti reforça uma das discussões centrais do menswear atual: a busca por novas formas de masculinidade, mais livres, emocionais e abertas à expressão individual.
























