Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Estamos enfrentando um período que definitivamente não é um dos mais fáceis. Ficar isolado em casa, diminuir o contato social e a própria frustração e apreensão por medo do futuro, já que ainda não temos uma solução contra o novo coronavírus, são motivos que têm levado muitas pessoas a terem crises de estresse e ansiedade.

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Mas neste momento é fundamental saber lidar com isso. “O estresse causa diversas reações no organismo que impactam inclusive na imunidade. Por isso, os contatos sociais, mesmo que virtuais, são fundamentais para que se consiga liberar serotonina e dopamina”, explica o cirurgião plástico Mário Farinazzo.

Segundo a dermatologista e tricologista Kédima Nassif, o estresse atua de maneira mais visível é na pele, no cabelo e nas unhas. A médica explica abaixo seis consequências diretas:

Queda de cabelo

O estresse aumenta a liberação de cortisol, que encurta a fase de crescimento capilar e promove a queda dos fios – processo conhecido como eflúvio telógeno. “Pela maior liberação de adrenalina, há a vasoconstrição nas raízes do cabelo com menor aporte de sangue nutrientes ao fio, impactando na fase de crescimento. Além disso, a maior geração de radicais livres contribui para o estresse oxidativo das células que dão cor ao cabelo, contribuindo para o branqueamento precoce”, diz Kédima.

Psoríase e acne

Segundo a dermatologista e tricologista, o estresse é acompanhado da liberação de cortisol, que acentua o aparecimento de substâncias pró-inflamatórias, levando à piora da psoríase – que afeta cerca de 2% da população mundial. Já quando o assunto é acne, estudos mostram que esta situação causa maior liberação de cortisol, que impacta na liberação de substâncias inflamatórias que pioram o aspecto da pele – além de aumentar a oleosidade.

Cicatrização

“As alterações imunes induzidas pelo cortisol elevam em 20% o tempo necessário para a reparação de feridas pela elevação  de substâncias pró-inflamatórias, menor migração de células saudáveis da periferia para o local da lesão e pela menor produção de proteínas com função antibacteriana”, explica a dermatologista e tricologista.

Unhas fracas e com manchas

Diversos estudos mostram que o estresse é associado aos hábitos de roer e manipular as unhas, o que facilita a descamação ungueal, o aparecimento de ranhuras nas unhas e manchas esbranquiçadas. “Podem surgir depressões horizontais nas unhas, chamadas de linhas de Beau”, acrescenta a médica.

Dermatite atópica

A dermatite atópica é uma doença crônica da pele em que a camada protetora é alterada, predispondo ao aparecimento de alergia, coceira e infecções cutâneas. “O estresse altera ainda mais esta barreira contra microrganismos e proteínas capazes de causar alergia, isso porque há uma menor produção de ceramidas – fundamentais para esta função -, assim como há alteração na produção e diferenciação das células que compõe esta proteção”, explica a dra. Kédima.

Segundo a médica, o resultado é a maior predisposição à alergia e às infecções da pele, aumento da perda de água transepidérmica com ressecamento cutâneo e maior facilidade de se ter coceira na pele, mesmo aos menores estímulos.

Envelhecimento precoce da pele

Segundo o estudo “Brain skin connection: stress, inflamation and skin aging”, publicado no periódico Inflamm Allergy Drug Targets em 2014, o estresse leva à liberação de cortisol e, cronicamente, isso causa atrofia cutânea, redução do número de fibroblastos e diminuição do colágeno e elastina.

“Também há uma maior liberação de adrenalina e isso causa menor reparação dos danos ao DNA celular pelo processo de envelhecimento. O estresse emocional está ligado à redução dos mecanismos de adaptação ao estresse oxidativo (causado por agressores ambientais e hábitos como má alimentação e cigarro), aumentando a geração de radicais livres que também acentuam este processo.”, explica a dermatologista.