Açúcar é ruim e adoçante pode ser pior. E agora? - Fotos: Reprodução/Harper's Bazaar
Açúcar é ruim e adoçante pode ser pior. E agora? – Fotos: Reprodução/Harper’s Bazaar

Por Vânia Goy

Quase todo mundo já sabe que o açúcar refinado é calórico, eleva os níveis glicêmicos e deve ser evitado ao máximo. Há também os defensores de uma alimentação saudável que condenam o uso de edulcorantes – ou adoçantes –, reforçando suspeitas de que eles fazem mal ao organismo e até, pasmem!, estimulam a fome. Escolher como adoçar o cafezinho ou o suco, portanto, virou um dilema. “O excesso de açúcar branco causa mais do que sobrepeso: acaba contribuindo com o envelhecimento por meio de um processo chamado glicação. Nele, o açúcar cola em moléculas de proteína – como o colágeno e a elastina – e as deixa rígidas. O resultado é o aparecimento de rugas, perda de firmeza e elasticidade da pele”, alerta a nutricionista Rosana Cardoso. “Além disso, o açúcar refinado não tem nutrientes.”

A nutricionista funcional do Rio de Janeiro Andrea Santa Rosa não indica o uso de adoçantes. “Essas substâncias foram criadas com propósitos médicos, para diabéticos”, explica. “Pesquisas mostram que, se usados desmedidamente, podem comprometer a função tireoidiana. Até a sucralose, que é derivada de cana-de-açúcar, por exemplo, é rica em cloro e totalmente desaconselhada nesses casos. Além disso, edulcorantes aumentam a compulsão alimentar.”

O médico David Ludwig, expert em obesidade e pesquisador de entidades ligadas à Universidade de Harvard, publicou um artigo explicando como os adoçantes confundem o cérebro, que identifica o sabor doce e espera a recompensa em calorias. “Sem a contrapartida, a vontade de comer aumenta e logo cedemos às tentações. Ou mantemos aquela vontade sem fim de beliscar um docinho”, explica Rosana.

A boa notícia é que uma safra de opções alternativas está chegando às prateleiras brasileiras. O açúcar de coco, que já é febre nos Estados Unidos, é o mais festejado. A Monama, marca de produtos orgânicos, acaba de trazer para o Brasil o alimento. Ele é feito a partir da seiva de botões de flores da palmeira-de-palmira, árvore que cresce na Tailândia. “Cultivado sem agrotóxicos nem aditivos químicos, tem 10 calorias em duas colheres (1/4 do equivalente em açúcar mascavo) e nenhum sabor residual”, explica a empresária Camila Brennand Fortes, criadora da Monama. Outra versão, chamada palm sugar, feita a partir da seiva da mesma palmeira, ainda não é encontrada por aqui, mas é tão boa quanto.

Andrea Santa Rosa é fã do xilitol, adoçante encontrado nas fibras de muitos vegetais, como milho, e frutas, como framboesa, de índice glicêmico baixo. É quase tão doce quanto o açúcar tradicional, mas 40% menos calórico. “Mesmo assim, a minha sugestão é variar sempre. Em vez de eleger apenas um tipo, experimente alternar mel, agave e stévia, todos naturais, em diferentes tipos de alimentos e combinações”, ensina. Marianne Brepohl, que comanda o Lapinha Spa, vai além. “Antes de mais nada, podemos simplesmente não mascarar o sabor real dos alimentos”, recomenda. “Que tal experimentar o paladar de chás, café, iogurtes e sucos de frutas ao natural?”

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