Foto – Getty Images

A ressaca é uma resposta natural do organismo ao álcool, uma substância tóxica para o corpo. Ela envolve desidratação, inflamação, alterações na glicose e prejuízo do sono. Não é acaso nem fraqueza, mas um processo fisiológico previsível.

A ciência é clara ao afirmar que não existe consumo totalmente seguro de álcool. Qualquer quantidade envolve riscos. O chamado consumo consciente significa redução de danos, não ausência de efeitos. Beber menos, beber raramente ou não beber são as únicas formas comprovadas de evitar a ressaca e reduzir impactos à saúde.

Por isso, separamos este guia para explicar, de forma objetiva e baseada em evidências, o que pode ser feito antes, durante e depois do consumo para reduzir danos quando a pessoa decide beber.

ANTES

Alimentação adequada

Comer antes reduz a velocidade de absorção do álcool pelo trato gastrointestinal. Refeições com carboidratos complexos, proteínas e gorduras ajudam a manter a glicemia estável e diminuem náusea e fraqueza no dia seguinte.

Hidratação prévia

Entrar no consumo de álcool já hidratado reduz a intensidade da desidratação induzida pelo álcool, que está associada a dor de cabeça, fadiga e boca seca.

Escolha da bebida

Bebidas com menor teor de congêneres estão associadas a ressacas menos intensas. Congêneres são subprodutos da fermentação e estão mais presentes em bebidas escuras.

Ritmo planejado

Definir previamente um limite de consumo reduz a ingestão excessiva, que é o principal fator relacionado à gravidade da ressaca.

Medicamentos antes de beber

Não é recomendado usar analgésicos antes do consumo de álcool. Paracetamol combinado com álcool aumenta o risco de toxicidade hepática.

– DURANTE

Alternar álcool com água

Intercalar cada dose alcoólica com água ajuda a manter o equilíbrio hídrico e reduz o volume total de álcool ingerido.

Evitar bebidas muito açucaradas

Drinks com alto teor de açúcar podem agravar a desidratação, aumentar picos de glicose seguidos de queda e intensificar dor de cabeça e mal estar gastrointestinal no dia seguinte.

Atenção a misturas

Misturar diferentes tipos de álcool tende a aumentar o consumo total. O problema não é a mistura em si, mas a maior ingestão sem percepção.

Evitar energéticos

Bebidas energéticas mascaram a sedação causada pelo álcool, levando a maior consumo e maior risco de desidratação, arritmias e ressaca mais intensa.

Comer durante o consumo

Pequenas porções de alimentos ajudam a retardar a absorção do álcool e reduzem irritação gástrica.

Ritmo lento

Beber mais devagar permite que o fígado metabolize parte do álcool, reduzindo o pico de concentração alcoólica no sangue.

– DEPOIS

Reposição de líquidos

Beber água ou soluções com eletrólitos antes de dormir e ao acordar ajuda a corrigir a desidratação.

Sono adequado

O álcool fragmenta o sono. Dormir por tempo suficiente auxilia a recuperação neurológica e metabólica, mesmo que a qualidade do sono não seja ideal.

Alimentação no dia seguinte

Refeições leves ajudam a estabilizar a glicemia e reduzir náusea. Alimentos simples e de fácil digestão são preferíveis.

Analgésicos com cautela

Anti inflamatórios podem aliviar dor de cabeça, mas podem irritar o estômago. Paracetamol deve ser evitado após consumo de álcool devido ao risco hepático.

Evitar “beber para curar”

Consumir mais álcool pode aliviar sintomas temporariamente, mas prolonga a inflamação, a desidratação e a recuperação do organismo.

Tempo como fator principal

Não existe cura imediata para ressaca. A melhora ocorre conforme o corpo elimina o álcool e corrige desequilíbrios metabólicos e inflamatórios.