Suco de maçã é essencial no cardápio - Foto: reprodução/Bazaar
Suco de maçã é essencial no cardápio – Foto: reprodução/Bazaar

Com depoimento de Camila Garcia

Há exatamente um ano, testei pela primeira vez um detox ayurvédico, relatado na edição de dezembro do ano passado de Bazaar. Desta vez, a proposta era fazer uma limpeza do fígado e da vesícula. Sentindo que meu corpo já pedia um novo “reset”, aceitei o desafio.

“O objetivo desse detox é a prevenção de doenças e manutenção da saúde”, me explica Kinha Del Mar, terapeuta ayurvédica do N.O.S. Detox. Kinha combina as teorias indianas com as do médico alemão Max Gerson, do Gerson Institute, que trabalha basicamente com pacientes que sofrem de câncer. “A ideia é tirar o excesso de toxinas do corpo para fazer com que os órgãos funcionem com o máximo de inteligência que o corpo tem. Segundo o dr. Gerson, o fígado é o órgão mais importante no processo de desintoxicação e recuperação de doenças.”

Para a medicina ayurvédica, o fígado é ainda considerado a sede da raiva e do elemento fogo, portanto, a limpeza não só traria um benefício físico como também mental.

A preparação começa cinco dias antes. Carnes, glúten, laticínios, bebidas alcoólicas e industrializados em geral são cortados do cardápio. Recebo a orientação de tomar um litro de suco de maçã por dia. A explicação é que o ácido málico do suco ajuda a amolecer os cálculos que vão sair da vesícula e do fígado pelo canal biliar. Um dia antes do “dia D” devo fazer jejum a partir das duas da tarde, logo após o almoço.

Às 18h, tomo a primeira de quatro doses de sal amargo (uma espécie de laxante) misturado com água para abrir os dutos biliares. Para amenizar o gosto que trava na boca, misturo algumas gotas de limão. Duas horas depois, o segundo shot. A fome começa a apertar. Tento ficar tranquila até as 22h, quando devo tomar 125 ml de um bom azeite de oliva – capriche na escolha, porque, acredite, isso faz toda a diferença na hora de ingerir o que parece ser um molho de salada – batidos com um grapefruit. Apesar da consistência estranha, tomo sem maiores dificuldades o tal líquido. “A vesícula tem que produzir muita bílis para que o fígado processe todo esse óleo. Isso ajuda a empurrar os cálculos, que são toxinas e gorduras sedimentadas”, explica Kinha.

As orientações são bem claras: devo me deitar logo em seguida e tentar ficar na mesma posição, com a barriga para cima, por pelo menos uma hora. Por sorte, o sono logo vem. Às 6h da manhã do dia seguinte, o despertador toca. É hora da terceira dose de sal amargo. Essa nem o limão ajudou a descer. Tomo com dificuldades e, com muito enjoo, volto para a cama. Duas horas depois, o último copo. E só dali a duas horas sou liberada a comer novamente. Nessa altura, nem penso mais em comida. Uma espécie de torpor tomou conta de mim e tanto o sal quanto o azeite começam a fazer efeito. As pequenas pedrinhas da vesícula são eliminadas pelas fezes durante todo o dia. E, ao final dele, me sinto bem, sem o cansaço da manhã.

Fazem parte do programa deste detox terapias complementares que ajudam na eliminação das toxinas e do stress. Fiz três sessões de abhyanga, uma deliciosa massagem ayurvédica com óleos quentes que estimula a energia vital e leva as toxinas em direção aos órgãos que vão eliminá-las. Duas de shirodara, outra terapia indiana, que consiste em manter um fluxo contínuo de óleo aquecido na testa durante meia hora. A sensação de relaxamento é absoluta.

Testei ainda a swedana, uma sauna a vapor indiana que mais parece aquelas caixas de mágico. Essa é de madeira, toda articulada, você entra, senta e fica só com a cabeça para fora. Mais uma etapa que ajuda a expulsar as toxinas do corpo. Para finalizar, passei ainda por dois bastis, a limpeza intestinal que havia testado no ano passado. Nesse caso, é indicado que se faça uma antes do detox e outra logo em seguida. “O bem-estar do corpo está na região do abdome. A limpeza do intestino é essencial, porque melhora a absorção dos nutrientes. Remover o excesso de toxinas devolve vitalidade para os órgãos”, ensina a terapeuta.

Para o detox total, a orientação é que se faça a limpeza uma vez por mês durante seis meses. Eu já estou me programando para o segundo round, porque, terminadas todas a etapas, a sensação é de que o corpo entra em sintonia e passa a funcionar na potência máxima. O resultado prático? Uma pele com um glow especial, um sono mais reparador e energia renovada. Que venha 2015!