Foto: Reprodução/ Harper's Bazaar
Foto: Reprodução/ Harper’s Bazaar

Por Anna Del Mar

Uma das dietas mais comuns da atualidade prega a restrição ao consumo do glúten, uma proteína presente na maioria dos cereais, como trigo, aveia, centeio etc. Tido como vilão da balança, parar o consumo de glúten, na verdade, não influi no emagrecimento. Segundo a nutricionista Ligia Henriques, o que emagrece é a restrição que a dieta sem glúten promove. “Você elimina diversos alimentos que são frequentes na dieta brasileira e com isso pode vir a comer menos calorias no dia. Mas, como exemplo, se a pessoa parar de comer pão e comer um monte de pão de queijo no lugar, não irá emagrecer”, explica. De acordo com a nutróloga Ana Luiza Vilela, “A proteína não tem qualquer ligação com a perda de peso, e a maioria dos produtos sem glúten tem a mesma quantidade de calorias da versão convencional.”

Para pessoas que tem algum tipo de intolerância, o glúten pode desencadear um processo inflamatório no organismo. Alguns sintomas relacionados são: constipação intestinal, inchaço, flatulência, diarreia,  rinite, asma, artrite, prurido e dermatite. A intolerância ao glúten não tem idade para se manifestar. Os célicos, como são chamados pessoas que não digerem esse tipo de proteína, devem prestar atenção na composição dos alimentos, remédios e até hidratantes – os que são feitos com aveia têm glúten. Porém, atualmente, há uma infinidade de produtos glúten free no mercado, que vão desde pães e biscoitos até cervejas.

Ultimamente, observamos uma espécie de “movimento antiglúten” ganhando forma. Para muitos, porém, o problema vai mais além. William Davis, cardiologistas americano e dono do best-seller Wheat Belly, propõe uma mudança radical em nossa dieta. Para ele, deveríamos eliminar 100% os alimentos à base de trigo.

“O trigo hoje não é o mesmo, ele mudou geneticamente para resistir mais ao tempo, às pragas etc. Essa mudança tem um grande impacto em nosso organismo” explica Kinha Del Mar, terapeuta ayruvédica e dona do N.O.S. Detox. Ele atribui doenças degenerativas, como artrite e reumatismo, e autoimunes ao consume excessivo do trigo. A obesidade americana também.  “Ainda não existe nada cientificamente provado, mas eu percebo claramente uma mudança nas pessoas que fazem o detox aqui e cortam o trigo. Elas se sentem mais bem dispostas. Para melhor resultado, quem busca perder peso ou melhorar a alimentação deveria cortar também o açúcar e o máximo de alimentos industrializados possíveis. Eles contêm uma grande quantidade de substâncias não naturais, como corantes e conservantes, e chega uma hora em que o corpo não aguenta.”

O CRN (Conselho Regional de Nutrição) proíbe a prescrição de dieta sem glúten para pessoas que não tenham comprovada intolerância/alergia a ele, mas, como ele não é um nutriente essencial, a sua restrição também não causa nenhum prejuízo à saúde.