Schiaparelli alta-costura 2026 (Foto: Divulgação)

Em um dia desses, enquanto caminhava pela Avenida Paulista percebi de novo como nós temos esse hábito quase automático de se camuflar na cidade usando roupas pretas, cinza e marinho. São Paulo tem disso, essa veia gótica urbana. Apesar de tudo, a vontade de colocar um pouco de cor nos looks já virou conversa em qualquer grande centro.

Entre a nostalgia Y2K e o mermaidcore, é inegável dizer que o tom já está no radar da moda. Longe de exigir uma leitura literal ou uma estética praiana, a cor funciona como um ponto de sofisticação: ela transita com a mesma naturalidade em um casaco de lã, numa bolsa estruturada, em um scarpin ou em um tricô básico, jogada ao lado de preto, marrom ou jeans (e há quem diga que ela é tão versátil quanto o preto).

Ignorando as regras tradicionais do calendário da moda, o azul-seria prova que não tem estação: apareceu nos dias cinzentos de inverno, funcionando como uma fresta de luz em meio aos looks fechados. Nas passarelas internacionais de marcas como Chanel e Schiaparelli, ele deu as caras em várias intensidades — na silhueta inteira ou apenas em detalhes — e encontrou seu lugar no street style. Na beleza, a abordagem segue a mesma linha. O azul-sereia aparece nos olhos e nas unhas, mas sem acabamentos futuristas ou exageros.
Seja pela herança do imaginário marítimo ou pelo desejo de colocar um pouco de cor no guarda-roupa, o tom veio para redefinir o cotidiano. Primeiro em uma bolsa, depois na unha, no casaco, até virar aquele look completo que você vê de longe no meio da multidão.