Dolce & Gabbana – Foto: Divulgação

Quem já fez ao menos uma dieta na vida sabe como é difícil encontrar informações seguras e confiáveis sobre qual alimento deve ou não fazer parte da nossa alimentação. Nessa hora, muitas comidas são apontadas como “vilãs” para aqueles que desejam perder peso: afinal, quem nunca ouviu dizer que os carboidratos são os inimigos da dieta, ou mesmo que todos os açúcares e as gorduras podem ser evitados?

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O nome dado a esses estereótipos é terrorismo nutricional, quando um alimento é classificado de forma isolada em suas ações no nosso corpo, mas não como parte fundamental de um plano alimentar. Na prática, é como categorizar uma comida por apenas um nutriente que ela fornece ao nosso corpo, esquecendo-se de todos os outros e da funcionalidade plena que aquele alimento pode trazer à nossa saúde.

Dieta flexível

Hoje, sabe-se que banir vários alimentos da nossa alimentação pode terminar em resultados diferentes do que foi o objetivo inicial. A melhor definição para alcançar o benefício de uma alimentação saudável, segundo a nutricionista Nicole Ezemplari, é montar uma dieta flexível.

“Na verdade, não existe vantagem em terrorismo nutricional. Não há motivos para demonizar certos alimentos. Não existe e nunca existiu apenas uma funcionalidade especial para cada um. Precisamos visualizar o contexto geral da alimentação, e não apenas separar os alimentos em ‘bons’ e ‘maus’, o que ‘pode’ e o que ‘não pode’. Além de saúde, isso traz pressão psicológica”, destaca.

Um dos principais fatores que levam ao terrorismo nutricional é justamente a falta de prazer ao se alimentar. Isso porque, para ter hábitos alimentares saudáveis – a principal forma de garantir que todos os nutrientes necessários estejam inseridos naquilo que comemos -, é necessário entender que a alimentação é um processo sociocultural. Portanto, deve fazer parte da vivência de cada indivíduo de maneira harmoniosa e equilibrada, sem ditá-la como obrigação.

Acerte no ritual da alimentação

A opinião da nutricionista Maria Eduarda Oliveira segue a linha de que a hora de comer deve ser tranquila, prazerosa, e que a ingestão de alimentos gostosos e apetitosos é a principal forma de manter um hábito saudável na hora de preparar a comida do dia a dia.

“Tudo deve ser encaixado no contexto de uma alimentação variada e equilibrada, sem exageros e terrorismo nutricional. Ser saudável não se resume apenas a comer alimentos de boa qualidade. A saúde não deve ser apenas física, é um conjunto de corpo, alma e mente”, comenta.

Olhando pela perspectiva do prazer, é comum que em dietas restritivas e pouco flexíveis os alimentos considerados “inimigos” gerem o sentimento de culpa ao comer, quando na verdade podem ser benéficos para uma dieta adequada – desde que ingeridos sem excesso.

A dieta flexível auxilia justamente para que todos os alimentos que sejam apetitosos estejam balanceados na nossa alimentação. “A dieta balanceada e flexível permite variar essas fontes nutricionais, respondendo a qualquer necessidade atual e futura”, acrescenta Nicole.

Saúde física e mental

É importante ressaltar que a alimentação interfere ativamente na saúde física… e psicológica! Restringir alimentos e criar hábitos que geram o sentimento de culpa e pressão estética podem ser atitudes responsáveis por boa parte das doenças psicológicas atreladas à autoestima e ansiedade.

“A nutrição e alimentação vai muito além de nutrientes e calorias. O ato de comer envolve vários fatores e sentimentos, é algo cultural, que pode nos trazer memórias afetivas, sem falar que é prazeroso”, conclui Maria Eduarda.

Sendo assim, a principal forma de criar hábitos saudáveis e atingir os objetivos nutricionais é ter uma dieta equilibrada, adaptada para cada necessidade que o nosso corpo precisa. Saber dosar o excesso e ter prazer ao comer é uma das maneiras mais assertivas para ter uma alimentação saudável.