Chloë Grace Moretz - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
Chloë Grace Moretz – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar

Por Tom Leão

Chloë Grace Moretz é uma graça. Perdão pelo tro­cadilho. Nem bem chegou à maioridade (faz 18 anos em fe­vereiro) e já é uma das atrizes mais versáteis de sua geração. Parece uma velha conhecida. Mal comparando, é a Lorde do cinema. E se acha que a viu muito em 2014, espere 2015.

A americana de Atlanta – criada em NY, vive em LA – é uma menina-prodígio: começou a carreira aos 6 anos e não pa­rou mais. Recentemente, além de ter estrelado o drama Se Eu Ficar (baseado em livro de sucesso no segmento young adult, If I Stay), fez um dos papéis mais fortes de sua já longa carreira, o de uma prostituta russa, em O Protetor, ao lado de Denzel Wa­shington. Estes dois últimos estão sendo lançados em vídeo no Brasil – e também já estão nos serviços on demand da TV.

Como se não bastasse, no começo de 2015, a carinha de Chloë aparecerá de novo em tela grande, na produção euro­peia Acima das Nuvens, ao lado de Juliette Binoche e Kristen Stewart, em que faz um dos papéis mais “normais”, o de uma atriz. Da vida mesmo, só lamenta ter perdido parte de sua in­fância vivendo em estúdios, estudando em casa. Mas ela, que ama atuar, sabe que é o preço. “Nem por isso deixo de ir a shows, à balada e fazer tudo o que uma adolescente normal faz”, disse em recente conversa telefônica armada pela distri­buidora de seus filmes no Brasil com alguns fãs daqui.

Mal estreou na TV, Chloë, aos 8, já debutava no cinema, na pequena produção Heart of the Beholder. Logo em seguida, em­placou um trabalho maior, o remake para Horror em Amityville. Por causa desse papel, foi indicada para o primeiro de muitos outros prêmios aos quais concorreria, o Young Artist Award. Mas ela chamou a atenção mesmo quando fez a sensacional assassina Hit Girl, na divertida (e violenta) adaptação do quadrinho Kick­-Ass. “Na época, fiquei meio sem graça, porque a personagem falava muitos palavrões e, em casa, nunca falei nenhum”, disse aos admiradores brasileiros, entre risinhos nervosos.

Aos poucos, Chloë foi se tornando uma atriz cult e estendendo seu “alcance” para a música e a moda. Agora, é chamada para desfiles, estrelar vídeos de bandas, fazer publicidade etc. O que mais chama a atenção é que ela é ge­ralmente escalada para filmes menos con­vencionais ou com algum toque fantásti­co. Seus tipos se adequam a sua idade e ela nunca fez mocinhas frágeis ou adolescentes bobocas.

Depois de Kick-Ass (repetiu o papel de Hit Girl na continuação), seu próximo trabalho de destaque foi o da velha vampira presa num corpo de menina, no famoso remake do terror nórdi­co Deixe Ela Entrar. E sua saga de encarnar tipos esquisitos seguiu na versão para cinema da série de TV de terror Sombras da Noite (dirigida por Tim Burton) e em outro remake de um clássico do horror, Carrie, a Estranha, no papel-título.

Contudo, Chloë não se deixou marcar apenas por um tipo de personagem. Foi escalada por Martin Scorsese para fazer uma francesinha esperta no mágico A Invenção de Hugo Cabret. E para o papel da jovem musicista Mia Hall (que tem uma experiência além-vida, após um acidente que a deixa em coma) em Se Eu Ficar, sucesso em 2014 para o qual estudou violoncelo por sete meses. Da mesma forma que aprendeu movimentos de boxe, caratê e outras lutas para Kick-Ass.

Crescer em frente às telas e ter uma carreira tão prolífica em pouco mais de uma década deu a Chloë experiência e um certo ar vivido. Superprofissional e focada, dá pinta de que não será mais uma atriz que ficará no ostracismo depois de atingir a maioridade. Muito pelo contrário.