Ilustração: XPND Media

O ponto de partida de Rafael Sanches para construir sua arte, que mescla pintura, arquitetura e moda, é o rápido e pronto reconhecimento para quem olha suas obras. Arquiteto de formação, ele entrou no final do ano passado para a lista “Forbes Under 30”, de empreendedores, criadores e artistas que revolucionam os negócios e transformam o seu meio. Um merecido reconhecimento de seus traços e formas, que são suas principais assinaturas, e também do trabalho que faz para pavimentar caminhos para outros artistas.

Foi por puro hobby, por volta dos 14 anos, que Sanches foi buscar influência no street art e nos grafites para criar suas primeiras telas com uma tipografia própria. “Nunca fiz parte deste movimento de rua, mas sempre me encantou o fato de eles exercerem autenticidade com o uso das letras e das palavras. Fui desenvolvendo uma tipografia minha e, inconscientemente, ela se tornou a principal característica do meu trabalho artístico”, explicou à Bazaar em seu ateliê, no centro de São Paulo.

Foto: XPND Media

Suas primeiras obras foram feitas no papel, mas a materialidade delas, com o passar dos anos, foi se transformando. Suas conhecidas pinceladas, firmes e grossas, podem ser vistas em multiplataformas: de murais de rua a telas de diversos tamanhos, passando por obras tridimensionais feitas em madeira e esculturas em camadas. “Sempre gostei de experimentar materialidades e elas estão muito intrínsecas à minha evolução como artista: saí do papel e fui descobrindo outros mundos, até o momento em que as obras 3D não se faziam mais suficientes e parti para as esculturas”, detalhou.

Falando em materialidade, em sua última empreitada, Sanches importou um papel feito a partir do bambu para novas obras. “Trouxe o bambu para resgatar minha raiz da criação em papel, que foi onde tudo começou, e fazer contraponto com a natureza na busca por nunca esquecer que tudo são processos naturais, vindo a partir dela”, explica.

Foto: XPND Media

As raízes artísticas vindas do papel, bem como a natureza em que mergulhou no último ano, são os principais fios condutores de sua nova mostra individual chamada “Quem Acredita em Desenhos Fixos?”, que ficou em cartaz na Nós Galeria, de São Paulo (criada por ele para dar voz e vez a novos artistas nacionais), durante os meses de novembro e dezembro do ano passado. Com foco em obras que saíram do tridimensional para o bidimensional, justamente para conversar com suas origens no plano dos papéis, o artista optou por usar cores e formas que remetessem à natureza fazendo jus à vivência que teve na criação de sua grande instalação a céu aberto em Extrema (Minas Gerais) chamada Casa Vista – disponível para aluguel no Airbnb.

Foto: XPND Media

“Esse resgate, com um visual mais lírico, e com cores voltadas à natureza, foca principalmente em obras com a ausência do preto. A exposição vem para criar o equilíbrio entre a natureza e o urbano, trazendo gestos como foco e colocando o homem como escala dentro do trabalho, a partir da perspectiva do que é bacana na cidade e também do que é bacana na natureza”, completa Sanches, contando que ficou imerso por mais de um ano na criação das dezenas de obras. “Me dediquei a esta exposição todos os meses do ano. Essa mostra traz um pouco a relação entre o passado do meu trabalho, a partir da urbanidade e do humano, e meu atual momento, conectado à natureza.” A individual do artista acaba de chegar à Nós Galeria de Brasília.