Tomie Ohtake - Foto: Divulgação
Tomie Ohtake – Foto: Divulgação

Por Paula Jacob

Nascida em 1913, em Kyoto, no Japão, Tomie Ohtake chegou ao Brasil com apenas 23 anos. Porém, doou seu talento nato à arte por volta dos 40, quando integrou o Grupo Seibi. Seu trabalho teve inicio com as pesquisas pautadas nos campos cromáticos, planos e transparências.

Não demorou para se destacar no mercado artístico nacional e internacional, quando em 1957 abriu sua primeira exposição individual no MAM, que faz parte das mais de 50 que realizou ao longo de sua carreira. Durante a Ditadura Militar, porém, Tomie, junto com outros artistas, se recusou a participar da edição da Bienal Internacional de São Paulo. Nos anos de 1974 e 1979 ganhou o prêmio de melhor pintora do ano, pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Obra "Labareda" no Auditório do Ibirapuera - Foto: Divulgação
Obra “Labareda” no Auditório do Ibirapuera – Foto: Divulgação

Em 1983, ganhou uma retrospectiva, digna de suas obras, no MASP. O que chamou a atenção do público para suas pinturas, esculturas e instalações. Dessa forma, seu incentivo artístico ganhou espaço nos pontos turísticos mais importantes de São Paulo, como a escultura Labareda (2004), na entrada do Auditório do Ibirapuera, e o Monumento à Imigração Japonesa (1988), na Avenida 23 de Maio.

O peso de sua personalidade ganhou espaço próprio em 2000, quando o Instituto Tomie Ohtake foi fundado, em São Paulo. Um dos maiores templos da arte no Brasil, já recebeu inúmeras exposições e retrospectivas de artistas tão grandiosos quanto ela. Salvador Dalí e as releituras a icônica bolsa Lady Dior, da maison Dior, foram algumas das mais importantes nos últimos anos.

"Monumento à Imigração Japonesa" na Avenida 23 de Maio. - Foto: Divulgação
“Monumento à Imigração Japonesa” na Avenida 23 de Maio. – Foto: Divulgação

Suas contribuições com as vertentes artísticas transbordaram. Estilistas como Fernanda Yamamoto e Erika Ikezili, trouxeram suas formas e cores como protagonistas de coleções. As peças incorporaram a sinuosidade de suas obras, e desfilaram como arte em movimento durante as semanas de moda paulistana.

Os amantes da arte contemporânea, assim como todos os que veneram o trabalho da visionária Tomie Ohtake, sentirão falta da japonesa mais brasileira que viveu e coloriu São Paulo, com seu talento, determinação e vitalidade. Tomie, mais que ninguém, atravessa as barreiras temporais e cria, a partir do jogo “simples” de transparência e repetição, obras que a cada passagem, nos faz refletir sobre aquilo que sempre buscamos, o tempo.

Desfile Fernanda Yamamoto Inverno 2014 - Foto: Agência Fotosite
Desfile Fernanda Yamamoto Inverno 2014 – Foto: Agência Fotosite