Andrea e Felipe com a placa de boas-vindas na entrada de Santa Fé - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Andrea e Felipe com a placa de boas-vindas na entrada de Santa Fé – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Andrea Viera, em depoimento a Bazaar

Toda temporada, viajo acompanhada da minha mãe (a estilista Patricia Viera) e do stylist Felipe Veloso, em busca de um destino que faça uma faxina na nossa cabeça e nos inspire para as próximas coleções de nossas marcas. Desta vez, embarcamos para Santa Fé, capital do Novo México, nos EUA, procurando algo que mexesse (mesmo!) conosco.

Estava ansiosa para reencontrar a inspiradora guia espiritual Chris Griscom, conhecer o acervo das galerias de arte da Canyon Road e a comida tipicamente mexicana – que amo. A cidade é mesmo especial, algo que atraiu, por exemplo, Julia Roberts e Tom Ford, que têm ranchos na região.

Depois de um voo de oito horas do Rio de Janeiro a Dallas e, na sequência, outro de uma hora e meia até Santa Fé, chegamos à cidade, que parece cenográfica, cheia de casinhas e edifícios baixos, totalmente idênticos e de tonalidade uniforme, além de energia boa – quase que palpável de tão forte. Logo no primeiro dia, cruzamos com uma placa que dizia New Mexico – Land of Enchantment. E foi, literalmente, encantamento à primeira vista.

Santa Fé, que combina montanhas e planícies do deserto americano, tem ruas charmosíssimas, com construções coloniais espanholas de adobe, uma espécie de tijolo feito à base de areia, água e outros materiais orgânicos, como palha e ervas, desenvolvido pela comunidade hispânica que se instalou na região em 1500. O revestimento, que é o mesmo em todos os lugares, colore a cidade com um bege claro que ganha nuances douradas durante o pôr-do-sol.

No verão, a temperatura pode chegar a 40ºC, portanto, visite a cidade durante a primavera e o outono, quando o clima é mais ameno – mas, mesmo assim, bastante seco. Eu me surpreendi com o deserto. Imaginava que a paisagem teria paleta monótona e aspecto árido, mas ali nascem flores deslumbrantes. Os girassóis e dálias são os maiores que já vi.

Balões sobrevoando a região de Taos - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Balões sobrevoando a região de Taos – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

O melhor de tudo foi poder ver toda essa paisagem cruzando o céu azul em um balão. Para isso, pulamos da cama do hotel Inn of the Governors às 4h da manhã e dirigimos por cerca de uma hora até Taos, cidadezinha que, no inverno, é ótimo destino para esquiar. Ali, subimos no balão e acompanhamos o dia amanhecendo, silencioso, lá do alto, e pudemos “navegar” entre os gigantescos cânions, voando tão baixinho que quase tocávamos o rio que flui entre os paredões avermelhados e verdes.

De volta ao carro, passamos pela icônica Route 66 em busca da história da região, reunida em museus pequeninos com peças indígenas e espanholas. O Museum of International Folk Art foi um dos meus favoritos. Outro roteiro imperdível é visitar as galerias de arte da Canyon Road. Até gravuras assinadas por Picasso encontramos por lá.

Andrea Viera com uma aranha caranguejeira no deserto de Santa Fé - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Andrea Viera com uma aranha caranguejeira no deserto de Santa Fé – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Participei de um ritual no The Light Institute, em Galisteo, espaço da líder espiritual Chris Griscom, a 40 minutos de Santa Fé. Já tinha estado com ela outras vezes no Brasil, em jornadas de autonhecimento, regressão e limpeza espiritual e estava curiosa para conhecer seu espaço nos EUA. Durante a visita, caminhamos sobre brasas fumegantes de sua fogueira para purificar o corpo. Não senti dor alguma! Foram instantes de autocontrole máximo e meditação profunda.

Voltei pensando no quanto rituais de todo tipo são importantes. No quanto eles estimulam que cuidemos de nós mesmos, e que vale a pena parar alguns instantes do dia corrido para prestar atenção nos meus pensamentos.

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