Foto: divulgação
Foto: divulgação

Por Cibele Maciet

O frio de graus negativos que fez nesse final de semana em Paris pedia algo novo e reconfortante: a escolha foi o Le George, novo restaurante do Four Seasons George V, com vista para a Cour de Marbre. Com uma cozinha entusiasmante e mediterrânea comendada pelo chef italiano Marco Garfagnini, melhor chef jovem de 2005 pelo Gambero Rosso e estrelado desde 1999, o restô se anuncia como a alternativa jovem do tradicional hotel parisiense, comandado pelo chef francês Christian Le Squer.

A proposta do menu é cool: a ideia aqui é partager, ou seja, os pratos principais e sobremesas são feitos para dividir. Mas não pense por isso que você vai encontrar hambúrgueres e fritas: o requinte e exquise andam de mãos dadas por aqui. A começar pelos amuse-bouches de pão fresco com azeite, fritas de parmesão, beignets de abobrinha, gorgonzola e manjericão e pequenos camarões fritos em modo snack, um delírio inicial acompanhado de champanhe rosé, meu preferido desses últimos tempos.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Em seguida, uma entrada que me hipnotiza já pela apresentação, um Mi-cuit de Thon rouge, pétales de truffe noire. Um crudo que me impulsiona a olhar para meu companheiro, que me lança um olhar cúmplice e maroto: são essas trufas negras (que não são como as de verão, muitas vezes frustrantes e sem gosto) dispostas sob filés de atum vermelho semi-cozido que nos seduzem. Um próximo crudo é o Olho de Boi marinado com limão, delicioso, mas que teve claramente o brilho ofuscado pelo prato anterior. A pasta inicial é o Ravioli Del Plin, crème de parmesan et truffe noire (Ravioli com creme de parmesão e trufas negras – olha a trufa e o olhar cúmplice aqui de novo!), com um creme que é apenas uma tuerie, como eles dizem aqui, muito bom.

E para fechar as entradas com chave de ouro (e com trufas, viva!), a salada de espinafre, langoustine, trufas e parmesão: essa foi a primeira vez na minha vida que admiro minha cara metade comer uma boa salada verde na minha frente. Momento único e devidamente documentado em foto, bien sûr.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

O prato principal, um linguado assado com molho de vinagre ao manjericão é simplesmente divino acompanhado de uma garrafa de Gevrey-Chambertin 2011, indicado pelo simpático sommelier Ludovico Chafer. Para finalizar em grande estilo (afinal, tenho uma queda toda particular pelos sucrés), um trio de sobremesas em semi-porções: Pomme semi-confite au gingembre, crème mascarpone, glace vanille, Crème Brulée au fromage, sorbet mandarine e Dessert au caramel beurre salé, devidamente finalizadas com café & Calvados (com o perdão do meu consorte, que vem de uma família com raízes na Normandia).

A comida é excepcional? Sim. O acolhimento e serviço são bons? Excelente, na medida, sem ser muito, nem pouco. Gosto quando é assim: você está num lugar requintadissimo, de primeira linha e te fazem sentir no living da sua casa, cercado de tudo o que precisa para viver um bom momento. E no final, você ainda sai com uma polaroid tirada pela querida Fanny, que faz parte do team. Foi ela quem teve a ideia de presentear os clientes com esse mimo (lembra da historia de ser um restô jovem?). “É claro que não é para todos que propomos a foto”, diz ela. “Só quando percebemos que temos uma abertura”. Perspicaz, Fanny.