Foto: reprodução
Foto: reprodução

Em depoimento à Laura Brown 

9:00 Acordo a essa hora porque costumo trabalhar até tarde com o Karl. A primeira coisa que faço é beber água – Fiji ou Evian –, para limpar o organismo. Só então checo meu telefone. Mantenho o aparelho a um metro da minha cabeça, porque não é bom deixá-lo tão perto do cérebro. Se vou praticar minha corrida, não tomo café da manhã. Corro entre 10 e 25 quilômetros, dependendo do esporte que estou praticando na semana. Sempre fui um bom corredor. O melhor tempo que já fiz foi 22 quilômetros em 1 hora e 50 minutos. Mesmo viajando muito com Karl, sempre tento me exercitar, não importa onde estou (usamos o avião duas vezes por semana – um bate-volta entre Paris e o sul da França, para os Estados Unidos ou Itália). Às vezes, faço apenas flexões e abdominais. Se tenho uma reunião pela manhã, corro tarde da noite. E, quando estou em casa, treino boxe com meu melhor amigo, que é professor. De vez em quando pratico com os alunos dele também.

11:00 Após a corrida, como cereal com iogurte e bebo café americano, como nas lanchonetes, coisa que eu amo. Quando estou em Nova York, no [hotel] Mercer, tomo café no lobby depois de treinar. Sempre peço suco de cenoura; não gosto de suco de laranja. Não preciso me barbear todos os dias porque cultivo uma barba grande. Mas ela está querendo ficar branca – e eu começo a me parecer com o Papai Noel.

11:30 A primeira pessoa com quem converso no dia é minha namorada [Jenna Courtin-Clarins]. Não moramos juntos, mas, geralmente, passamos dois dias da semana na minha casa e um na dela. Ambos viajamos muito e ficamos muito tempo sem nos ver, mas assim também conseguimos manter certo mistério.

13:30 Vou de bicicleta ou a pé para o escritório, no 7eme arrondissement. Na hora do almoço, pelo menos três vezes por semana, como no restaurante da Colette. Lá tem um mix de pessoas que adoro. Peço um assiette verte [prato com folhas verdes] e frango, peixe ou salmão grelhado. Evito o glúten, mas como arroz, muito arroz.

15:00 Depois, volto ao escritório. Organizo todas as coisas do Karl, pago contas, contrato pessoas para os projetos…

16:00 Normalmente, minha primeira reunião com ele é depois do almoço, a  não ser que estejamos viajando. Acho que Karl tem quatro iPhones; eu tenho um iPhone e um Blackberry. Usamos todos. Vou para sua casa ou para a Chanel. Trabalho para ele há mais de 16 anos, desde que tinha 23, mas o conheço desde os 15. Meu padrasto tinha um antiquário e trabalhei lá por um tempo. Karl era um grande colecionador e frequentava o negócio. Eu via que ele sabia tudo sobre tudo, então estava sempre lhe questionando – era muito curioso. Cresci em um lugar onde não se sabe muito, tive uma formação humilde. Tornei-me próximo de Karl porque eu era mais engraçado que os outros caras e fazia perguntas a toda hora – ele gostou disso. É uma via de mão dupla, sabe?

17:00 Quando estou com Karl, sou eu quem dirijo seu carro. Temos dois Rolls-Royces, um preto, em Paris, e um conversível azul, em Mônaco. E não, seu rabo de cavalo não voa longe quando estamos no conversível. Não se mexe! Para trabalhar, geralmente visto jeans e tênis. Meus jeans favoritos são da Dior Homme. Mas, se tenho um evento, uso um terno. Tenho quartos especiais para me vestir – um na casa dele e dois no escritório.

19:00 Karl trabalha muito. Ele está sempre produzindo – coleções para a Chanel, Fendi ou Lagerfeld, fotos, são muitos compromissos. O cérebro dele consegue armazenar mais coisas do que todos os computadores do mundo. Às vezes, penso: ‘Como ele consegue fazer tudo isso?’ Tenho três vidas: a minha, a minha vida com Karl e com minha namorada. É muito importante que eu pratique meu esporte – a corrida –, porque também é meu dever proteger Karl. Se eu não conseguir, não serei bom o suficiente. Lembro-me de um incidente, há anos, quando estávamos no CFDA Awards. As pessoas do PETA começaram a jogar coisas nele e derrubei um dos caras no chão. Foi louco. (Aliás, a gata Choupette não precisa se preocupar com segurança. Ela não corre riscos, porque nunca sai, só quando viaja com a gente). Termino meu trabalho e aí tenho algum tempo para minha vida particular.

21:00 Na maioria das noites, janto com Karl. Se estamos em Paris, comemos na casa dele ou em um restaurante, mas ele não é muito fã, pois é uma situação muita pública. Estou lá para acalmar as pessoas; Karl é o legal e eu, o malvado. Ele fala com qualquer um: presidentes, rainhas, faxineiras. Mas tenho de mantê-lo em movimento. Às vezes, os jornalistas exageram – ficam empurrando e empurrando, fazendo perguntas. É como se ele fosse um imperador. Algumas pessoas da moda agem como se estivessem salvando o mundo ou algo assim. Quem salva o mundo são os médicos, é só ir até um hospital para ver. Não cuspo na moda, trabalho nessa indústria, mas tem algumas pessoas…

23:00 Se saio à noite, vou ao VIP Room, em Paris, que tem um restaurante chamado La Gioia, que é do meu amigo Jean-Roch, dono do VIP Room de St. Tropez. Somos como irmãos. As pessoas dizem que você pode contar seus amigos nos dedos de uma mão, mas eu preciso de algumas mãos para isso. Não bebo muito, mas gosto de tomar uma taça de vinho; Cheval Blanc ou Château d’Yquem – apenas. FÉRIAS: Nas férias com Karl, fico no sul da França. É 75% férias. Faço o que tenho de fazer para ele e, então, ando de bicicleta, de moto, de jet-ski. Salto de aviões, sabe? Agora que estou trabalhando e tenho mais dinheiro, posso ter mais “brinquedos”. Mas mantenho a mente no lugar, no mundo da moda é fácil subir “à cabeça”. Nunca esquecerei de onde venho e o que é real. Claro, não moro mais na região pobre onde vivia, mas, sim, em um lugar bacana de Paris. Sou um cara de sorte.