Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Ana Carolina Soares

Adoro fazer listas. Dia desses, em uma faxina nas estantes, resolvi organizar os livros por temas e percebi logo ali um tema latente para a coluna: as melhores obras eróticas de todos os tempos. A paixão e o sexo descritos de tantas formas, tantas maneiras geniais…

Aqui em casa, tenho outras obras além das citadas abaixo, mas outras propostas, que promovem reflexões, como “A Cama na Varanda“, (fundamental) da Regina Navarro Lins; “Sexo“, do Flavio Gikovate, e “Vem Transar Comigo“, da (divaaa) Tatiana Presser. Qualquer dia desses, aparecerão por aqui também, mas nesta semana, quis focar em literatura boa e deliciosa.

Abaixo, por ordem decrescente de preferência, sugestões para ler e se inspirar 😉

“As 100 melhores histórias eróticas da literatura universal”

Organizado por Flávio Moreira da Costa, é uma maravilha que reúne os diferentes estilos eróticos de todos os tempos. Aparecem naquelas páginas uma turma um tanto eclética: Gustave Flaubert, Marquês de Sade, Sacher-Masoch, Machado de Assis, Hilda Hilst, William Shakespeare, D.H. Lawrence, etc. A excitação no livro vai além das narrativas sexuais, mas para quem — como eu — vibra muito ao ler um texto perfeito!

“Pornô chic”

Em 1990, Hilda Hilst completava 60 anos, 40 deles dedicados à literatura. Insatisfeita com a publicação de seus livros em pequenas tiragens, o silêncio da crítica e a repercussão restrita, a poeta decidiu, digamos assim, “chutar o balde” e escrever textos pra lá de provocativos. A obra reúne Contos d’escárnio – textos grotescos, Cartas de um sedutor, Bufólicas e o polêmico O caderno rosa de Lori Lamby (diário de uma menina de oito anos que se prostitui obrigada pelos pais, extremamente bem escrito, mas bem perturbador).

Tem esse “4 em 1” obrigatório da Hilda, louvado pela crítica e etc… Mas, se eu precisasse escolher uma só obra dela, apontaria Do Desejo, outra antologia, mas com uma “pegada” mais delicada, um de meus livros de cabeceira.

“A Casa dos Budas Ditosos”

Coube ao baiano João Ubaldo Ribeiro o tema “Luxúria” da série Plenos Pecados. Narra a história de uma “senhora danada”, CLB, de 68 anos, pansexual que encara sua voluptuosidade como um “talento divino”. A partir desse ponto de vista, ela narra suas experiências eróticas nos “mínimos detalhes”, desde o início (com o irmão Rodolpho e o tio Afonso), com amigos, amigas, orgias…

“Delta de Vênus”

Coleção de contos escrita por Anaïs Nin (aliás, amante de Henry Miller) na década de 1940, sob encomenda de um colecionador misterioso. As histórias têm como palco a aristocracia européia e, como personagens, prostitutas que satisfazem desejos inusitados de clientes, triângulos amorosos e por aí vai. Tudo bem que o sexo se trata do tema central, mas a obra vai além, é quase um “ode à liberdade”.

“Amêndoa”

Imagine uma mulher muçulmana falando sobre sua sexualidade? Pois a obra trata desse tema. No Marrocos da segunda metade do século 20, Badra, de 50 anos, conta a história de sua vida, decidida a não medir palavras. Ela começa pela infância, segue sobre o casamento arranjado na adolescência e a sua fuga. O livro foca no relacionamento da protagonista com Driss, seu mestre e carrasco, homem da alta sociedade que se apaixona ardentemente por ela. Ele apresenta a Badra um amor um amor profundamente sensual.

“Histórias do olho”

Georges Bataille vai direto ao ponto ao falar sobre sexo e fez um clássico imperdível nesse gênero. Escrito em 1928, narra as descobertas sexuais de um jovem narrador e sua amiga “cheia de ideias”, Simone. Juntos, eles se descobrem, descobrem amigos, orgias, perigos. E tem uma parte sobre o, digamos assim, “terceiro olho” da moça e um pires de leite… Tão bem narrada e inusitada que dificilmente essa imagem sairá da sua cabeça rsrs

“Trópico de Câncer”

Clássico de Henry Miller escrito em 1934, esse livro passou quase três décadas proibido nos Estados Unidos, considerado “pornográfico” e “obsceno”. Trata-se de uma espécie de autobiografia dos tempos em que o escritor morava em Paris. Na época, um intelectual sem dinheiro, mas cheio de aventuras sexuais.

“A Vênus das Peles”

Reza a lenda que o termo “masoquista” nasceu deste romance aqui do austríaco Sacher-Mascoh. Conta o romance entre Severin, um jovem nobre, e Wanda, uma jovem viúva. Apaixonados perdidamente, o casal também filosofava sobre a felicidade nas relações amorosas. Nesse embalo, Severin resolve se entregar para Wanda como um escravo sexual: sente prazer ao ser amarrado e chicoteado pela amante.

“Cem escovadas antes de ir para a cama”

Vale como um “presta atenção” sobre a sexualidade feminina, muitas vezes, tão reprimida e cheia de culpas. A protagonista Melissa (mesmo nome da autora, Melissa Panarello) perde a virgindade aos 15 anos e, durante dois anos, encara todo tipo de aventura sexual: sexo grupal com desconhecidos, orgias regadas a drogas, sadomasoquismo, homossexualismo…. Mas ao invés de “relaxar e gozar”, a garota se enche de culpa. Publicado em 2003, é um retrato perturbador da sexualidade, em pleno século 21, ainda reprimida.

“Mulheres”

Com uma prosa que pode soar misógina, Charles Bukowski foi cancelado por algumas feministas. Eu nunca me ofendi com ele: é um boêmio e considero sua subversão um símbolo de liberdade artística. Mas vá com esse olhar cauteloso, especialmente, ao ler Mulheres, em que narra as aventuras sexuais de seu alter ego, Henry Chinaski.