Antonio Isuperio – Foto: Acervo pessoal

Por Antonio Isuperio

Feche seus olhos e imagine o futuro. Este futuro do seu imaginário mesmo, que acredito seja bem próximo do inconsciente coletivo. Caso seja da mesma geração que eu (por volta dos 40 anos), essa projeção mental pode ser parecida com o filme “Blade Runner”, “Tron” ou até a animação “Jetsons”, acredito.

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Surpreendentemente, eu não participo da minha própria ideia de futuro e (provável) também da sua, porque assim fomos sofisticadamente construídos socialmente. Este futuro também não tem mulheres no poder, pessoas com deficiência e povos originários porque este futuro (que faz parte de todas as nossas perspectivas da sociedade hegemônica que temos) é supremacista. E esta é a parte mais tecnológica e perversa das opressões: a ideia assimilada de uma sociedade alicerçada na inexistência de uma parte fundante da mesma.

Esse convite à reflexão de simulação de futuro foi feito por um intelectual em que muito me inspiro sempre, o querido Adilson dos Santos Júnior, mais conhecido como Ad Júnior. A edição de novembro de Bazaar tem como ideia a reflexão sobre o futuro, e não poderia deixar de trazer estas propostas de ordem que fundamentaram quem nos tornamos para questionamentos.

A professora guarani Geni Núñes nos traz provocações anticoloniais, capazes de nos deixar dias pensando sobre o desenho coletivo de monocultura a que fomos todos submetidos. Estes, onde temos a escassez e a padronização como elementos estruturantes da modernidade, estabelecem como norma a cultura do um, que anula e extermina todas as reais possibilidades que somos naturalmente.

Todo o brilho da pluralidade de um mundo tão complexo e diverso não poderia (como assim é) ser submetido a um repertório rígido que apresenta uma forma de amar, de existir, um Deus, uma possibilidade compulsória de organização social etc. Estarei por aqui trazendo ideias de sustentabilidade para que possamos construir juntos uma imagem de futuro que seja segura para todos nós.

Este texto tem esperança (do verbo esperançar de Freire) em despertar novos caminhos onde possamos reduzir pontos cegos que constroem nossos vieses inconscientes. Não fará sentido mudar de planeta sendo que somos os únicos seres vivos aqui que produzem a nossa própria extinção, não é mesmo? Imagine sermos responsáveis pela exportação do patriarcado para Marte? Já imaginaram resorts com vistas para os anéis de Plutão? Espero que estas lógicas de hierarquização sejam uma vergonhosa lembrança de como nos organizávamos socialmente. O futuro é utopia e essa é a reflexão.

Então, podemos reescrever nossas histórias enquanto é tempo e desaprender as lógicas eurocêntricas a que todos fomos submetidos de forma compulsória. O futuro somente será bom se todos fizermos parte dele. Estão prontos?

Talentos femininos

Antonio Isuperio - Como vamos construir o futuro?
Foto: Divulgação

Criado pela atriz, autora, empresária e empreendedora social Suzana Pires, o Instituto Dona de Si, em parceira com o Animale Vintage, doará parte das roupas arrecadadas e da receita gerada na ação para o núcleo Corte e Costura do Instituto, no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro.

O objetivo é acelerar talentos femininos nas mais diversas áreas, despertando a criatividade das alunas, além de apoiar as mulheres que precisam de ajuda para se desenvolver no mercado de trabalho e como empreendedoras, estimulando a inclusão social, geração de renda e qualidade de vida, visando a sua autonomia financeira. A Dress & Go, pioneira no consumo consciente de moda no Brasil, irá divulgar as peças arrecadadas no Animale Vintage, agora, também, em ambiente digital.

Conteúdo inclusivo

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Foto: Divulgação

A Trace Brasil exibe a atual temporada de “Trace Trends” na plataforma GloboPlay e no canal MultiShow. João Luiz, ex-BBB 21, a influenciadora Xan Ravelli e o jornalista Alberto Pereira Junior são apresentadores do programa, assim como o ator Babu Santana e Ad Junior.

Com a parceria, a Trace e a Globo reforçaram seu ineditismo, com a proposta de transmitir um conteúdo inovador, com linguagem universal, para que todas as pessoas se sintam incluídas e possam enxergar a pluralidade do nosso País. “São ações como esta que nos projetam para o futuro”, explica Ad Junior.

A empresa foi trazida para o Brasil em outubro de 2019 por iniciativa de José Papa, ex-CEO do Festival de Cannes e atual CEO da Trace no País, e tem Ad Junior como sócio e parceiro ocupando a função de Head de Marketing. A Trace Brasil também possui um portal de notícias focado no mundo do entretenimento, além de um canal, o Trace Brazuca, produzindo 24 horas de programação focado na cultura afrourbana nas operadoras Claro, Vivo e Net.

Em novembro de 2021, a multiplataforma lançou um aplicativo gratuito voltado à educação de jovens em parceria com grandes empresas.

Educação libertária

Antonio Isuperio - Como vamos construir o futuro?
Foto: Divulgação

O Universo Autônomo Intercultural de Saberes Útero Amotara Zabelê é a primeira escola filosófica dos povos originários e de pessoas de diferentes grupos, e foi idealizada pelo Coletivo de MultiSaberes Interculturais. O Levanta Amotara Zabelê (composto por profissionais de diversas áreas do conhecimento) é um movimento educativo que preza pela responsabilidade multiétnica e pretende acolher pessoas interessadas em uma educação libertadora e libertária sob a premissa de que “só abertos a novas ideias e ouvindo diferentes pontos de vista conseguiremos, coletivamente, nos reconectar aos elementos essenciais que tornam a vida possível: amor, respeito e defesa desses interesses mútuos”.

Por meio de vivências, debates e oficinas, reúne pessoas com pontos de vista diferentes para refletirem, repensarem e reavaliarem conceitos para novos consensos. “O exercício da escuta demonstrou a necessidade de trazer ao mundo uma iniciativa ou solução que possa promover um equilíbrio nas relações”, afirma o coletivo. A primeira sede será implementada no Território do Povo Tupinambá de Olivença, sul da Bahia.

Antonio Isuperio é Arquiteto e ativista LGBT+ antirracista desde 2015. Graduado em Arquitetura pela Universidade estadual de Goiás e com MBA em varejo pela FGV-SP. Atualmente, mora e trabalha em New York e é diretor de relações internacionais do Retail Design Institute e compõe a consultoria de diversidade de Alexandra Loras