Foto: Arquivo Pessoal

Quando se despediu do Estrelas, há dois anos, Angélica precisava se conectar com as próprias vontades. Até para sentir o frio na barriga novamente na hora do “silêncio, gravando”. Esse período longe dos holofotes foi determinante para recarregar as energias e cuidar da saúde física e mental – ela teve síndrome do pânico após o acidente de avião que sofreu com a família, em 2015.

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“Já vinha fazendo meditação e yoga, procurando ler e me espiritualizar um pouco mais. Melhorou minha qualidade de vida, a relação com os meus filhos. E assim o programa nasceu”, conta à Bazaar sobre a volta à televisão, neste sábado (10.10), com o Simples Assim, ocupando a mesma faixa de horário das tardes de sábado na Globo.

Perto de voltar a gravar, recobrou a adrenalina e percebeu que estar diante das câmeras faz parte do seu DNA. Pela primeira vez, vai comandar um formato que ajudou a moldar do zero, que fala de comportamento e questionamentos nessa busca pela felicidade. “Posso estar um pouco mais inteira, de corpo e alma mesmo. É diferente, está sendo especial”, comemora.

No vespertino em que apresenta e atua como atriz, contracenando com os convidados, Angélica discute feminismo, sexualidade, racismo e outras formas de preconceito, sob o olhar das pessoas, independentemente da fama. “Celebridades entram nas esquetes (são duas por programa), de acordo com o tema”, explica. A conversa ganha um desdobramento em podcast, liberado após cada episódio ir ao ar.

Na volta aos estúdios, novos protocolos de segurança. “No começo você estranha, parece um filme de ficção científica”, diz. Ajustes tiveram de ser feitos, mas nada que perdesse a essência. “A gente ensaia de máscara, aí na hora de gravar, tira. Está dando mais trabalho, mas é necessário para esse momento. Não acredito em outra forma de estar gravando que não fosse assim.”

Angélica quer que as pessoas se identifiquem, mas sabe dos entraves ao falar sobre temas polêmicos em um horário que prima pela leveza. “A gente não está para brigar, mas para jogar as cartas na mesa e fazer as pessoas refletirem. Esse é o grande lance da vida mesmo, né? Você está sempre aprendendo.”

A quarentena

Depois de quatro meses isolados em família, mais um mês em Angra, ela e o marido retomam as atividades aos poucos. “No intervalo das aulas das crianças, a gente priorizou se encontrar no almoço (cena que se repetia no jantar). De resto, cada um fica na sua.”

Por falar em aulas, ela se descobriu ótima professora. Com os meninos, era só inspetora ou diretora. Com Eva, acumulava as funções de merendeira, coordenadora, tia da cantina. A pequena está na fase de alfabetização, responsabilidade que caiu sobre o colo da mãe. “Foi difícil, sofri, confesso. Primeiro mês, eu surtei, depois me adaptei.”

Não reclama. Sabe do seu privilégio, já sentiu culpa pelas famílias que não têm estrutura, das crianças que não têm acesso à alimentação adequada e dos pais que não podiam respeitar a quarentena, precisavam trabalhar. “A gente tem que acabar com essa desigualdade gigantesca em que a pandemia jogou luz. Sempre existiu, mas mostrou com lente de aumento: olha como somos desiguais.”

Trajetória

Aos 46 anos, a apresentadora completou, em setembro, 24 anos de Globo. São mais de quatro décadas na presença dos telespectadores, que acompanharam sua transição do universo infantil para o entretenimento, suas reboladas de emissoras, o casamento com o também apresentador Luciano Huck e o nascimento dos filhos (Joaquim, Benício e Eva, respectivamente, de 15, 13 e 8 anos).

“Sou uma mulher e mãe bem ponderada no sentido de saber o que eu quero da minha vida”, brada. Agradece a segurança e até as rugas que vieram com a idade. “Significa que você está vivo e passou por muita coisa.” Tem aprendido sobre empatia e sabe que palavras têm de se estender a ações, não apenas a posts nas redes sociais.

“Às vezes, a gente acha que está lutando contra o preconceito, cheia de preconceito. Sem prestar atenção que tem um monte de privilégios.” Positiva e solar, Angélica tenta não deixar a tristeza tomar conta. “Se rir é um bom remedinho, vamos rir para ter energia e fazer a coisa acontecer, não ficar parado”.

E ela não pretende parar: até o final do ano, diz que vai aumentar sua presença online, mas sem dar detalhes. Se o marido for mesmo concorrer à Presidência, em 2022, talvez as outras ambições profissionais tenham de esperar.

Quizz

Família
A base de tudo, meu motivo

Amor
O que te conecta com o mundo

Vaidade
No limite certo, é muito importante

Conexão
Há de se ter cuidado (em estar online)

Diversidade
Viver em um mundo diverso é liberdade

Trabalho
Sempre esteve muito presente em minha vida

Superação
Todo dia é superar e crescer com aquilo

Música
Vai norteando a minha vida. Agora, está tocando a música do programa, uma regravação de Simples Assim, do Lenine, na voz do duo AnaVitória.

Vocação
Para muitas coisas. Na pandemia, descobri que tenho para ser professora

Solidariedade
Um modismo que espero que não acabe nunca


Sem ela, a gente não anda. É um motor!