Carol Piccin - Foto: Divulgação
Carol Piccin – Foto: Divulgação

Por Lucas Rechia

A sustentabilidade é uma palavra que ganhou importância e hoje permeia todos os setores da economia, da construção civil à moda, não existe um modelo de negócio preparado para as demandas do mercado atual que não tenha a sustentabilidade como um importante balizador.

À frente desse movimento sustentável e na busca por novos materiais está Carol Piccin e a MateriaLab. A primeira vez que ouvi falar da Carol, foi por um workshop que ela ministrou no Studio Guto Requena e logo me interessei pelo curso e as infinitas possiblidade de materiais disponíveis.

A arquitetura sustentável não é mais a mesma, mas está cada vez mais atrelada à tecnologia e à economia circular. Conectar empresas que desejam desenvolver novos materiais aos consumidores, além arquitetos e designers que procuram fornecedores com produtos certificados e adequados a aplicação em seus projetos, é um dos trabalhos que a Carol tem desenvolvido para o setor.

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Foto: Divulgação
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No escritório da empresa, na Vila Madalena, em São Paulo, é possível consultar a materioteca com centenas de produtos que vão de placas de revestimentos feitas de tubos de pasta de dente, passando por tecidos de seda orgânica à pisos cimentícios com vidro reciclável.

A partir daí, entra o trabalho de arquitetos e designers para inovar na utilização de novos revestimentos que resinificam materiais ao invés de continuar em um modelo de antigo e insustentável, que extrai da natureza e descarta.

Leia entrevista exclusiva com a empresária:

Carol, fale um pouco da sua história e como você se interessou pela sustentabilidade e o que te fez desenvolver a MateriaLab.
Desde criança tenho adoração pela natureza e tudo o que ela oferece. Desde curtir praia e mato, passando por plantar a própria horta e fazer o próprio remédio, até participar de coleta de assinaturas para salvar as baleias quando adolescente. Isso foi parar em querer cursar direito, depois gestão ambiental e empreender para trabalhar com gestão ambiental.

Um conceito que conversamos bastante durante seu workshop foi o de economia circular. Como você define esse termo?
Uma maneira inteligente de usar o modelo de produção e consumo, sem desperdício. É um sistema de abundância (contrário do que ainda temos hoje que é escassez pura) que aproveita cada pedacinho do que produzimos e usamos. Isso é dar valor, literalmente. Quando deixamos algo vivo por longo tempo, significa que aquilo é útil. Portanto significa que damos valor.

Como as empresas ganham com esse modelo de negócio?
As empresas se beneficiam se inserindo na economia circular, aproveitando negócios nunca pensados antes. Exemplo de lidar com os resíduos como eles sendo produtos e matérias-primas em outro processo.

O que faz a MateriaLab?
Pesquisamos matérias-primas e produtos adequados a projetos que pretendem ser responsáveis do ponto de vista socioambiental. Certamente o resultado é favorável financeiramente, visto que é inovador, atrai parceiros e muito interesse da sociedade e mercado em geral. Trabalhamos para arquitetos, designers e indústria que está criando algo novo; ou para quem quer rastrear um produto e fazer cálculos de uso de água/energia, geração de resíduos.

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