Camila Salek – Foto: Divulgação

Inteligente e afiada, entrevistar a empresária Camila Salek é como ter uma aula completa de visual merchandising e descobrir toda a sua importância para o varejo. Publicitária de formação, ela estudou na ESPM, em São Paulo, mas procurou ir além. “Depois fiz especializações em moda e visual merchandising em escolas como Santa Marcelina, FGV e Saint Martin, em Londres. A inteligência de varejo naquela época era algo muito novo”, relembra

À frente da agência Vimer, ela sempre se enveredou pelo digital. “Meu primeiro emprego foi em uma empresa que se chamava Informatel, em 1996. Eles montaram o primeiro delivery [digital] do Pão de Açúcar, por exemplo. Ele era em CD, que a gente mandava para a casa do cliente. Também montei o primeiro site da Avon“, conta.

Depois disso, ela passou a representar, no Brasil, a Lectra, empresa francesa fornecedora do mercado de moda, com maquinário e software. Um dos grandes clientes era a C&A, que desde sempre procurou se preparar para o futuro, e foi a primeira marca nacional a montar um departamento específico de visual merchandising.

“Inteligência de visual merchandising não é vitrinismo. O processo anda em conjunto com o processo de compra de produto e desenvolvimento de coleção”, resume. “A loja como um todo precisa falar sozinha, sem precisar do apoio de um vendedor, de uma equipe. A loja tem de ser capaz de conversar com o consumidor final.”

Certamente, o padrão de loja que dominou o varejo nos últimos anos vai acabar. “Precisamos estar preparados para as mudanças de merchandising, e não só colocar estoque para ser vendido”.

Pandemia

Com o fechamento de lojas e shoppings – com a pandemia do coronavírus -, o mundo se voltou para o digital, mas ainda há muito trabalho para deixar este meio de venda mais certeiro. “O digital hoje não tem o calor que o mercado físico consegue ofertar. As lojas agora estão pensando em como humanizar o e-commerce. Um exemplo é colocar o vendedor em contato virtual com o consumidor. Lives de styling e de make são uma forma de colocar o vendedor como um representante virtual da marca”, detalha.

E assim que as lojas reabrirem, as marcas terão de acelerar seus projetos de digital. O delivery vai continuar. “Temos de pensar que a experimentação de produtos será praticamente zerada e haverá um novo protocolo de higienização. Esqueçam a ideia de chegar em uma loja de cosmético e fazer o make em uma cliente”, aponta. “Em joalheria, já tem protocolo para as marcas. Em confecção isso é mais complicado. Mesmo no ambiente físico vamos ter de facilitar a experimentação. Por exemplo, deixar a pessoa levar para casa uma peça de estoque, para depois decidir se a quer ou não”.

O provador virtual, por exemplo, pode não funcionar 100%, mas dá uma ideia muito boa de como você vai ficar naquela roupa. Maquiagem é a mesma coisa, dá para ter uma ótima ideia de como o pigmento ficará em sua pele.

E vale lembrar que upcycling será praticamente uma ordem. “Vai ter muita peça parada no segundo semestre de 2020. A customização de produtos será essencial”, diz.

Com tantas ideias revolucionárias, Camila foi selecionada pela Ernst & Young para integrar o time do programa “EY Entrepreneurial Winning Women”. A ação mundial seleciona mulheres que passam por um processo de mentoria com outras empreendedoras, executivas de sucesso como Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza.

“Temos várias reuniões ao longo de um ano. A minha mentora foi Gabriela Baumgart, do Cidade Center Norte, e discutimos e estudamos vários aspectos do negócio, do financeiro até gestão de pessoas. Tem também o time internacional da Ernst & Young, com programa de imersão na Califórnia de uma semana com mentoras do mundo inteiro”, conta.

Cases

Questionada sobre cases da Vimer, Camila destaca dois deles:

Chilli Beans

Loja da Chilli Beans – Foto: Divulgação

A marca passou por um processo de redesign de suas lojas em 2018, e o resultado foi muito positivo: eles tiveram aumento de 14% nas vendas comparadas. Isso envolveu a mudança da exposição de produto, por exemplo, para o cliente ter a sensação de estar sempre vendo novidades. “As franquias recebem óculos novos toda semana. Só montando um espaço específico para destacar as novidades, já muda toda a experiência do cliente”, conta.

Go Case

Loja da Go Case – Foto: Divulgação

A marca de produtos para celulares, que nasceu no digital, foi para o físico com uma loja inspirada na rede social Pinterest. Dentro dos 3 mil produtos, a loja traz uma mostra do que é o assunto quente do momento. E tudo é reeditado de três em três semanas, além de ser customizado por lá mesmo.