Carolina Andraus - Como vai o seu namoro com você?
Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Carolina Andraus

No fim de semana que se comemora o Dia dos Namorados e o amor, como não refletir sobre a importância de namorarmos primeiro com nós mesmo, nos permitirmos um tempo autoconhecimento em nossas rotinas, de uma deliciosa auto-imposta solidão, e de optar por estar solteiro, e assim se abrir para infinitas possibilidades? Decidir ficar na sua própria companhia pode ser um dos grandes presentes da vida, e decidir espontaneamente, muitas vezes, qual será o próximo passo, próxima viagem, os amigos, o contexto, sem ter que negociar com absolutamente ninguém.

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A beleza do amor próprio, esteja solteiro, namorando ou casado, amor esse que floresce com o tempo, com o convívio suave e individual de cada um com seus próprios pensamentos, vontades, questões, escolhas, com seu próprio espaço interior. A capacidade de ficar absolutamente feliz, e apenas sozinha e feliz, é um contraponto muito interessante, e traz a possibilidade de uma vida de muita paz. E é o absoluto oposto da solidão em relacionamento tem uma densidade que nos seus piores momentos faz até respirar um desafio. O ar fica denso. Então talvez seja tempo de percebermos que o conceito de solidão pode ser, sim, feliz, uma escolha feita por opção, uma decisão alegre.

Quando vemos muitas vezes casais em mesas de restaurante que passam jantares inteiros sem praticamente trocar nenhuma palavra, e as poucas palavras se percebem secas, com uma frequência dura e uma frieza de desconexão que dá calafrios à distância. Conviver em um estado de desconexão talvez seja um dos maiores desafios emocionais, e seja a maior de todas as solidões. Viver, conviver, dividir decisões e contextos com uma pessoa que já não te percebe, não te enxerga, não se importa, é o viver em um vazio frio e escuro. E a pressão social de viver em um casamento ou relacionamento, o medo de não ser mais aceita socialmente, de não se sentir parte de um grupo, de não se encaixar. Sentir uma solidão profunda ao lado da pessoa que por muitos anos foi o centro do seu universo é uma mudança de contexto emocional de muito sofrimento.

Mas o esplendor de ser humano, de ter a capacidade de se trabalhar, se reinventar, de perdoar aos outros e a si mesmo, de voltar a amar, começa exclusivamente com uma decisão que cabe exclusivamente a nós mesmos.

Quando nos amamos, somos melhores para todos à nossa volta, mas principalmente conseguimos construir para uma vida equilibrada, construtiva e feliz. Não existe nada errado em nos colocarmos em primeiro lugar nas nossas prioridades, não é um ato de egoísmo mas faz parte de construir a fundação de vida plena. Sem essa fundação, as estruturas que mantêm a felicidade, que enfrenta desafios com sabedoria e força, não resiste.

E, no Dia dos Namorados, todos os solteiros ficam se sentindo um pouco de lado, e os casados e namorados, mesmo sem querer, se questionam se estão mesmo tão apaixonados assim, e muitas vezes tentam compensar uma falta de afeto de um ano inteiro de descompasso, ou às vezes nem tentam, apenas lamentam no silêncio dos seus corações que a realidade não seja como sonharam.

Nesse fim de semana, meu convite é para investirmos no nosso namoro com nós mesmos, nos cuidarmos, respeitarmos, trabalharmos emocionalmente, percebermos nossas necessidades e construirmos um equilíbrio cheio de amorosidade, para depois dividir tudo isso com alguém especial que esteja também nessa frequência de amor. Valorize o tempo com você mesmo e faça do seu namoro com você uma prioridade.

Carolina Andraus é formada pela FGV, ex-mercado financeiro, empreendedora, desenvolveu e vendeu diversas empresas no mercado imobiliário. Globetrotter e cidadã do mundo, já morou em Londres, Paris, Nova Iorque, Boston, Istambul e Frankfurt. Recentemente voltou a estudar na Harvard Business School e passou a escrever sobre mulheres inspiradoras, comportamento, e viagens.