Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

Por Carolina Andraus

Você já parou para pensar como as nossas vidas frenéticas pré-pandemia nos transformaram em dependentes compulsivos de velocidade, em uma busca non-stop pelo próximo estímulo, próxima compra, próxima viagem internacional, próximo destino, próximo evento? No tempo e lugar em que vivemos atualmente, no nosso dito momento presente, o isolamento social se tornou uma máxima constante e viagens estão mais regionais do que nunca. Passamos a perceber outras formas de nos estimular, outras maneiras de buscar prazer, crescimento e transformação. Passamos a perceber melhores lugares que sempre estiveram muito perto, mas que não tínhamos tempo, ou interesse, para nos permitirmos estar nesses lugares de desaceleração. 

Mas o jogo virou, o mundo mudou. E agora? Oportunidade para explorarmos o mundo por outros ângulos. Em uma das minhas andanças recentes por florestas e reservas, minha mais nova paixão, escutei pela primeira vez o termo Banho de Bosque. Um Consultor de Biodiversidade e Agrofloresta que acompanhava nosso grupo, a convite da minha amiga Carolina Filgueiras, idealizadora da linha de xampus naturais de alta performance Santapele, nos levou para uma imersão na floresta, onde Carolina procurava novas espécies para suas fórmulas baseadas em propriedades de insumos naturais brasileiros. Já estávamos tomando nosso Banho de Bosque, começamos a falar no assunto.

E o que é o Banho de Bosque, ou “shinrin-yoku” em japonês, o chamado Banho de Floresta? Para o nosso guia e especialista, em suas palavras, quando entramos na floresta, somos imersos na alta frequência da natureza, suas árvores, musgos, cogumelos, frutos e frutas, insetos, aves, água corrente, humidade. Todo esse ambiente emana uma frequência, que é tão poderosa que, mesmo sem percebermos ou termos essa consciência, nossas células são inundadas, ou banhadas por toda essa frequência que automaticamente regula a vibração das células do nosso corpo. Ou seja, somos tratados pela natureza, de forma quântica, orgânica e imperceptível, e saímos dessa imersão mais saudáveis e mais felizes.

No Japão, o conceito, formalmente desenvolvido no início dos anos 80 por iniciativa da Agência Florestal do governo japonês, buscava encorajar as pessoas a saírem de casa para passar um tempo na natureza como forma de terapia de bem-estar. A terapia consiste, basicamente, em ir para uma área de floresta ou para um parque e se permitir estar em silencio, meditar, e absorver esse banho de natureza. Inicialmente baseado no conceito de tomar ar puro e estar desconectado do urbano, deixando a mente descansar, o Banho de Floresta atualmente já é reconhecido no Japão como medicina preventiva. As pesquisas do médico Yoshifumi Miyazaki, da Universidade de China, no Japão, que estuda o shinrin-yoku desde 1990 e, com outros pesquisadores, comprovou os reais benefícios da terapia florestal como a diminuição dos níveis de cortisol, principal hormônio causador do stress, além de redução de pressão artérias, e melhoras de concentração e imunidade.  

Para os japoneses, o banho exige empenho, silêncio e um estado meditativo de profunda conexão com a natureza, utilizando técnicas de mindfullness. Para nós, latinos, falantes e barulhentos, acredito que o simples fato de estarmos cercados por toda essa frequência já nos acalma e tem um efeito real na nossa saúde e bem-estar.  Nós, brasileiros, que temos o privilégio de morar em um País de clima excepcional e natureza abundante, nós paulistanos, que temos uma mata atlântica exuberante a poucas horas de carro de nossas casas. 

Concluímos que os grandes privilegiados em tempos de pandemia são, realmente, as pessoas que têm um lugar para chamar de seu fora dos centros urbanos, com um jardim ou uma mata, e se você for realmente privilegiado, terá uma mata com água corrente, com uma cachoeira. Um lugar para estar perto do verde, andar sem sapato pela grama, tomar sol mesmo que seja apenas caminhando ao ar livre. 

Sempre que estamos imersos na natureza temos uma sensação de bem-estar enorme. Com as vidas altamente urbanas que levávamos até pouco tempo atrás, nossa ideia de relaxamento era subir em um avião, e viajar para um lugar distante, para termos um senso de sair da nossa realidade e nos desconectarmos, para descansar. Muitas vezes, nossas viagens cheias de privilégios nos colocavam de novo na busca do conforto urbanizado, das pessoas, da velocidade. Acabávamos tendo poucos momentos realmente imersos na natureza, pouco tempo para estar em silencio, e quase nunca tínhamos oportunidade de estar em um estado de silencio interior. 

Finalmente, por falta de opção, talvez, estamos descobrindo uma nova forma de bem-estar e de um estado real de felicidade. Se você acha que andar pela natureza não é estimulante o suficiente, experimente tomar um banho de cachoeira, bem gelado, respirando ar puro, cercado de verde, de floresta, de barulhos e perfumes. E se dê a oportunidade de perceber as mudanças que acontecerão imediatamente em você. Permita-se um reset profundo, tome um maravilhoso Banho de Bosque.

Carolina Andraus é formada pela FGV, ex-mercado financeiro, empreendedora, desenvolveu e vendeu diversas empresas no mercado imobiliário. Globetrotter e cidadã do mundo, já morou em Londres, Paris, Nova Iorque, Boston, Istambul e Frankfurt. Recentemente voltou a estudar na Harvard Business School e passou a escrever sobre mulheres inspiradoras, comportamento, e viagens.