Sol à frente da obra de Nicolás Bacal com vestido Talie NK, R$ 1.990 - Foto: reprodução
Sol à frente da obra de Nicolás Bacal com vestido Talie NK, R$ 1.990 – Foto: Christian Maldonado

Por Ligia Carvalhosa

Ela abre a porta de seu apartamento, nos Jardins, de cabelos soltos, pés descalços e com o filho Alex, 9 meses, no colo. A moldura ao fundo entrega que estamos prestes a entrar na casa de uma arquiteta de elegância discreta e olhar apurado, refletidos também em seu estilo. Iluminado e com poucas paredes, o espaço que divide com o marido e parceiro de negócios, Jonathan Franklin, tem livros e obras de arte por toda parte e uma grande varanda, que vai da sala ao quarto do casal. “Moramos em Chicago e ter luz e calor em casa era pré-requisito”, dispara Sol Camacho, mexicana que há quatro anos  vive na capital paulista.

Com maestria, foi logo entrando para a turma dos mais hypes da cidade. De cara, ficou amiga do também arquiteto e artista plástico Paulus Magnus, com quem assinou o projeto da loja de Erika dos Mares Guia; trabalhou com os arquitetos descolados da Metro; colaborou com Rem Koolhaas; e ensaia nova parceria com Felipe Hess. Oportunidades que aparecem para ela, que, de fato, é interessada em ocupar e transformar espaços – tudo no plural, porque Sol é assim. “Tenho um lema na vida: ir fazendo o que me move. Se, no meio do caminho, der de cara com uma parede gigante, você pensa se é hora de parar.”

Hoje, divide seu tempo com habilidade. Comanda o Open Office, escritório de arquitetura que reúne franceses, americanos, mexicanos e brasileiros, que, como ela (que já morou na Cidade do México, Nova York, Boston, Suíça e Paris), vivem rodando o mundo. Ao lado de Waldick Jatobá, dirige a Sociedade de Amigos do Instituto Bardi, projeto que pretende levar os conceitos de arte e urbanismo da arquiteta modernista Lina Bo Bardi para fora da Casa de Vidro. Com a sócia e amiga, Camilla Barella, é responsável pelo restaurante mexicano La Central, instalado no Edifício Copan, no centro de São Paulo.

“É um projeto de gastronomia, mas também urbanístico cultural.” Até porque nada na vida de Sol é por acaso. A área do restaurante, por exemplo, pertence à Galeria Pivô – e o aluguel vai para os artistas apoiados por Fernanda Brenner, diretora do espaço. “O projeto agrega à cidade, é uma troca cultural. Penso que, se for embora, contribuí de alguma maneira para a relação entre Brasil e México.” Além disso, é mais um incentivo à revitalização do centro da cidade. “Sou uma pessoa estética. E estética não é algo superficial, é a base para nossa vida.

Sol usa vestido Egrey, blazer Zara, brincos Vanda Jacintho e tênis Converse. O quadro é de Louise Bourgeois  - Foto: reprodução
Sol usa vestido Egrey, blazer Zara, brincos Vanda Jacintho e tênis Converse. O quadro é de Louise Bourgeois – Foto: Christian Maldonado

A imagem da cidade muda a vida dos seus habitantes, molda o imaginário pessoal”, diz ela, que defende a ideia de que viver num mundo visualmente belo faz com que as pessoas reproduzam esse padrão, transformando a qualidade de vida de toda a sociedade. Mas, para Sol, beleza não existe sem conteúdo. “Mesmo que o resultado final seja simples, é algo complexo, que pressupõe um pensamento por trás.” Reflexão que vale também para sua autoimagem. “Não tenho preferência por uma marca, mas me importo com uma estética que me represente e que fale sobre mim.” No guarda-roupa, preto, cinza e branco são quase onipresentes, com exceção dos lenços de Paola de Orleans e Bragança, das bolsas Le Petit Joueur, bijoux e panneaux assinados por Vanda Jacintho e dos acessórios garimpados em viagens.

De suas andanças vêm também as principais peças de décor. Daqui, aliás, já garantiu alguns objetos, como cadeiras de Lina Bo Bardi e Marcelo Ferraz, e o quadro de José Dávila que colore a sala de casa ao lado de obras da francesa Louise Bourgeois e do argentino Nicolás Bacal. De fato, se ela fizer as malas hoje e partir para mais uma exploração, já deixou sua assinatura por estas bandas.