Amora usa regata James Perse; terno Saint Laurent; choker Flavia Madeira; calça Stella McCartney e sandália Aquazzura - Foto: Mariana Maltoni -Set design: Tissy Brauen - Styling: Giovana Refatti
Amora usa regata James Perse; terno Saint Laurent; choker Flavia Madeira; calça Stella McCartney e sandália Aquazzura – Foto: Mariana Maltoni – Set design: Tissy Brauen – Styling: Giovana Refatti

Por Dudi Machado

Diretora de núcleo da TV Globo, Amora Mautner, carioca, 40 anos, ainda é uma das poucas mulheres a ocupar um cargo desta importância. Cabe a ela criar, propor e realizar conteúdo para a emissora – além dela, só há mais uma mulher no time da casa, a veterana Denise Saraceni. Em seu currículo figuram produções como Paraíso Tropical, Cordel Encantado e Avenida Brasil. A novela A Regra do Jogo, no ar atualmente, tem ocupado seu dia a dia, assim como os projetos de um folhetim das 23h para 2017 e uma adaptação para série de Os Irmãos Karamazov. Filha da etimóloga Ruth Mendes e do escritor e intelectual Jorge Mautner, cresceu rodeada por livros. “Minha família sempre foi bem intelectual. A Disney do meu pai eram os museus. Isso naturalmente me encaminhou para as artes.” Com apenas 17 anos entrou para o time da Conspiração – a famosa produtora de cinema a qual revelou vários diretores premiados – como assistente de figurino.

Observando o dia-a-dia, descobriu o gosto pela direção. “Foi ali que resolvi ser diretora e comecei a assistir um filme atrás do outro. Entre as opções de continuar trabalhando ou ir fazer uma faculdade fora do Brasil, fiquei com a vida real. Sempre digo: na prática a teoria é outra.” Disciplinada e autodidata, passou dois anos estudando cinema por conta própria, e elegeu como guia o livro História do Cinema Mundial, do escritor e teórico de cinema francês Georges Sadoul. Em seguida, comeceu a fazer assistência de direção na TV Globo. Em menos de um ano, aos 23, a jovem foi promovida a diretora na emissora global. “Na primeira etapa da minha carreira senti muito preconceito. Era muito jovem, mulher, em um cargo de comando num ambiente totalmente masculino, e ainda por cima, loira. Eram muitas minorias juntas”, ri. A tática para enfrentar o bullying dos machões? Se vestir como um. Criando um código de eficiência para poder pelo menos na forma ser igual a eles. “Me permiti ser vaidosa só quando já tinha conquistado meu espaço.”

Acredita que a proporção de mulheres nos cargos de comando aumentou muito. “O que existe hoje é um preconceito velado que rotula mulheres poderosas ou em cargos de chefia como histéricas. O que na verdade tem a ver é com o comando de uma situação. Existem momentos nos quais você precisa se impor. Para o homem ser assim é natural; já a mulher precisa ser comedida. Este não é o meu estilo. O que interessa no final, seja para o homem, seja para a mulher, é o resultado do trabalho e ponto”, resume. Dentro da Rede Globo passou por todas as etapas profissionais e acredita que, por ser mulher, teve que se esforçar o dobro para provar seu valor. Não dá sinais de se arrepender nem um pouco do resultado. “As mulheres são os novos homens em seus papéis profissionais. Só falta reconhecerem isso!”