Paula veste quimono Blaque Label; legging American Apparel;brincos Flavia Madeira e sapatilha Melissa - Foto: Mariana Moltoni
Paula veste quimono Blaque Label; legging American Apparel; brincos Flavia Madeira e sapatilha Melissa – Foto: Mariana Moltoni

Por Dudi Machado

“A grande história é saber qual o seu lugar no mundo, onde você vai fazer diferença”, define Paula, uma das produtoras mais importantes do País. Desde muito cedo ela foi em busca deste lugar. Precoce, estreou na carreira e na vida em 1984, aos 13 anos, com a peça Os Doze Trabalhos de Hércules, début seu e de outros como Malu Mader e Felipe Camargo. Foi ali também que conheceu Caetano Veloso, pai de seus dois filhos e parceiro de trabalho até hoje. Transparente e direta, essa ariana já nasceu com espírito e energia de liderança. “Aos 15 anos passei num teste da Globo para a série Anos Dourados. Fui eu mesma quem negociou o contrato com um bom salário. Meu pai me emancipou. A verdadeira independência é a financeira. Aí, ninguém mais me segurou”, lembra. O contrato lhe deu a segurança que queria – ela participou de 12 novelas na emissora. “Entendi rápido que tinha entrado no lugar certo pela porta errada. Queria estar no meio artístico, mas no backstage, na produção e na direção, principalmente.” Mesmo assim, seguiu atuando enquanto investia nessa mudança de posição e se associou à Conceição Lopes e a Felippe Llerena na Natasha Records. A label lançou várias trilhas de filme, inclusive Tieta, de Cacá Diegues. Bem impressionado, o diretor a convidou para produzir seu próximo longa. Orfeu foi seu start no cinema, começo de uma carreira também frutífera e recheada de produções e co- produções.

Paula é assim, uma máquina de produzir e de produzir muito bem. Apaixonada pelo que faz, dá tudo de si e não admite falta de empenho e compromisso de quem está no seu time. “Para mim, o mais importante é que a coisa aconteça. Não lido bem com frustração. Se eu relaxar nada acontece, esse é meu estilo, meu drive. Já me perguntaram qual escola de business frequentei. Respondo que foi a da vida. Sempre fui muito curiosa, de fazer perguntas, mas também sou do tipo que entende rápido”, ri. Fama de durona?

“As pessoas dizem que sou antipática, mandona, agressiva. Sou eu é quem faz o trabalho chato para que o artista possa brilhar, e, infelizmente, se não for assim nada acontece. Errar em produção custa muito caro. O que existe de mais parecido com produção de cinema por exemplo é o exército. Tem que ter estratégia, disciplina, cálculo, ação e comando. Eu sou o general.” As mais recentes batalhas nas quais têm se envolvido tem a ver com as questões dos direitos de artistas frente ao meio digital, algo que transformou radicalmente o cenário da indústria fonográfica no mundo. Paula questiona esses novos códigos e regras ainda muito obscuros e que vêm prontos e impostos quase sempre por corporações internacionais. É presidente do Procure Saber, uma associação focada em lidar com estas questões. “Sempre soube que teria de estar muito preparada. Fui treinada para a guerra, não tenho medo. Ter filhos foi muito bom, me humanizou. Só tenho medo de doença. Meu trabalho é minha vida e eles se misturam.”

Ela continua sócia do ex-marido, Caetano Veloso. Além de administrar a carreira dele, acaba de lançar a banda Dônica, da qual o filho Tom é compositor e integrante. No seu time também estão Pretinho da Serrinha, Mosquito e Teresa Cristina. Os próximos passos? “Roberto Marinho começou a TV Globo aos 60. Então… Não trabalho na zona de conforto, para mim isso é um incômodo. Mulher já nasce produzindo, casa, filhos. Mulher produz vida!”