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Uma a uma, as mulheres estão construindo seus próprios impérios e virando protagonistas no campo empresarial. O espaço, que durante muito tempo foi pouco ocupado pelo gênero, hoje já conta com mais de 9,3 milhões de mulheres, o que corresponde a 34% do mercado geral, segundo o Sebrae. Ainda que o número seja menor que a metade dos empreendedores no Brasil, ele vem crescendo. Na moda, inspiradas nas empresárias pioneiras do setor, novas marcas, lideradas por mulheres de todas as idades e estados, vêm surgindo e potencializando a presença do sexo feminino à frente de empresas de sucesso.

“É um orgulho ser exemplo de mulher que conseguiu superar todos esses obstáculos, por conta dessa desigualdade de gênero que a gente vive”.

Kátia Barros – Foto: Reprodução/Instagram/@_katia_barros

A carioca Kátia Barros, fundadora e diretora criativa da Farm, é um dos exemplos de mulheres que empreenderam no segmento da moda e que hoje lideram uma das marcas mais reconhecidas do ramo no País – servindo de inspiração para as jovens que estão chegando agora para movimentar o mercado. Para ela, é muito importante olhar com cuidado para as novas gerações de empreendedoras, mas é necessário, também, incentivá-las durante o processo: “Eu tenho muito cuidado com essas pessoas que vêm me pedir dicas, conselhos, que se inspiram em mim. É um motivo de muito orgulho, eu me sinto bem responsável, mas segura por estar nesse lugar. Confiante! Temos que seguir a nossa intuição para sermos felizes. Não ter medo de ousar e arriscar na busca dessa felicidade”.

A fundadora da Farm também lembrou que ser mulher no mundo empresarial hoje pode ser uma grande vantagem já que, além de encontrarem um espaço mais aberto, as mulheres são detentoras naturais de poder, força e sensibilidade, mas que nem sempre o meio foi tão aberto para que elas pudessem desenvolver seus próprios negócios ou, até mesmo, trabalharem em qualquer outra profissão. “Eu enfrentei dificuldade lá no início no mundo corporativo. Ali existia claramente uma diferença entre os meus colegas homens e as mulheres. Eles eram tratados de maneira diferente, existia mais admiração. As mulheres sempre ficavam em segundo plano e os chefes se dirigiam muito mais aos homens para conversar, ensinar e treinar.”

Mais do que consolidada no Brasil com quase 25 anos de existência, hoje a Farm aposta na sustentabilidade, na diversidade e na internacionalização. A empresa, que é formada por mulheres em sua maioria, já está há três anos trabalhando a marca no mercado internacional, distribuindo suas peças em lojas de departamento de Nova York e Miami, abrindo lojas pop up na Califórnia e com planos de expansão por toda a Europa.

“Nós, mulheres, lutamos diariamente pelo poder de igualdade, então, ver mulheres em posições de liderança torna-se uma verdadeira inspiração, pois vemos onde podemos chegar.”

Na esteira do que vem sendo criado por mulheres como a Kátia no mercado nacional e internacional da moda, marcas que ainda estão se estabelecendo vêm mostrando que vieram para ficar e revolucionar o segmento. Criado em 2013 por três amigas de infância, Juliana Santana, Gabriella Torneri e Rafaella Torneri, o e-commerce de sucesso Guardaroba, que foca em peças minimalistas em tons de branco e preto, já faturou cerca de R$ 3,5 milhões e acumulou 216 mil seguidores em seu Instagram ao longo de seus oito anos de existência.

Gabriella Torneri – Foto: Reprodução/Instagram/@gabitorneri

Entre elas há uma grande admiração pelas mulheres que vieram antes delas e que conseguiram abrir tanto espaço no segmento para as próximas gerações. Por isso, pretendem fazer o mesmo ajudando pequenas empreendedoras: “nosso maior objetivo é que daqui há alguns anos não seja mais comum respondermos perguntas sobre as dificuldades em sermos mulheres. Queremos um futuro onde esse tema não será mais necessário”.

Mesmo assim, elas alertam as empresas menores sobre possíveis comparações: “a Guardaroba nasceu com ‘baby steps’ e até hoje procuramos seguir essa mesma lógica. Nenhuma marca nasce consolidada. Antes de dar um passo grande é necessário ter calma e saber que a sua empresa é muito semelhante à evolução de cada ser humano, afinal, você não nasce já sabendo andar. Muitas vezes você se compara com marcas grandes do mercado, mas esquece que elas também já passaram pela mesma situação que você para chegarem onde estão”.

Com estabilidade de vendas, Juliana, Rafaella e Gabriella, fundadoras da marca, agora têm como meta automatizar os processos e ampliar a equipe com profissionais qualificados para suportar o crescimento da empresa. Além disso, outro objetivo é aumentar o “market share” em outros estados, buscando um frete com o mesmo preço e a eficiência que já conseguiram no estado de São Paulo. “Queremos que o Brasil inteiro possa conhecer a Guardaroba.”

Líderes femininas de marcas de diferentes tamanhos e seus objetivos

Para além de marcas que já são muito reconhecidas ou que estão caminhando para isso, como Farm e Guardaroba, outras menores que ainda tentam desbravar esse mercado procuram inspiração nos grandes nomes para manter vivos os sonhos de ter sucesso na própria empresa. Os nomes de pequenos negócios que vêm surgindo são inúmeros e, entre tantos, está a Luehb, o projeto da empreendedora Luciana Srouge, que vem trabalhando a imagem da marca e dando os primeiros passos para difundir o nome do e-commerce pelo mercado.

Para ela, o grande desafio neste momento é e encontrar bons fornecedores para garantir qualidade e fortalecer o nome da marca: “quando se começa nesse ramo é difícil encontrar bons fornecedores que aceitam comercializar e produzir peças em um volume menor. Além da questão de quantidade, é importante conseguir que seja priorizado entre as outras marcas já consolidadas”. Ainda embrionária, os próximos passos da Luana com Luehb é aumentar os canais de venda, saindo do ambiente 100% digital para também marcar presença em lojas físicas.

Rafella Torneri – Foto: Reprodução/Instagram/@rafatorneri

Com proporções e domínio de mercado completamente diferentes, Farm, Guardaroba e Luehb são três empresas lideradas por mulheres e que, em momentos distintos de seus desenvolvimentos pessoais, vêm se renovando e se estabelecendo em território nacional e internacional, garantindo assim, que no futuro, as mulheres de diferentes setores tenham cada vez mais oportunidades e facilidades para empreender.