Por Cibele Maciet

Reaberto há um ano e meio após o período de reformas do palace parisien, a déco do restaurante Alain Ducasse au Plaza Athénée é toda branca, sofisticada. Assinada pelos designers Patrick Jouin e Sanjit Manku, ela nos remete a uma dualidade futurista/vintage interessante, com suas mesas da entrada protegidas por cápsulas que lembram naves espaciais, misturadas com o classicismo da arquitetura francesa do salão, que fica bem ao lado da Cour Jardin, o famoso terraço forrado de muros vegetais. Alain Ducasse, chef três estrelas que dirige o restô há 15 anos, é dono de uma cozinha natural, sem exagerações de açúcar e óleo e baseada na pirâmide de peixes, cereais e legumes (não que no menu não tenha carnes, têm, mas a prioridade aqui é a vibe ‘nature’ e sã, que respeita o planeta, que se dedica a esse mundo que pede mais atenção e menos desperdício).

Pilotado pelo chef Romain Meder, o brunch intitulado Haute Couture começa com uma bela apresentação de viennoiseries como croissants, pain au Gianduja (pão de chocolate), roulé aux fruits confits (enrolado de frutas cristalizadas), brioche à la framboise et au chocolat (brioche de framboesa e chocolate), brioche au chocolat noisette (brioche de chocolate e avelã), além do kougelhopf parfumé au citron et à la fleur d’ranger (sempre tive vontade de experimentar essa especialidade da Alsácia, e aqui, ainda por cima, perfumada com limão e flor de laranjeira, uma verdadeira afronta à minha dieta – mas uma revelação para minhas papilas!). Conselho de amiga: sei que é difícil, que esses pães são excelentes, mas tente não exagerar logo no começo (afinal, essa é a ideia do brunch: devagar e sempre). Não bastasse tudo isso, ainda temos pequenas baguettes aos cereais ou naturais feitas pela maison, acompanhadas de manteiga Bordier e de geleias e mel de Alain Milliat. Além do quê, se você não comer tudo isso, ainda os leva para casa embaladinhos num envelope no final do brunch. Simpático! Ah, esqueci de mencionar o chocolate maison do Alain Ducasse para passar no pão. Uma delicia, que acabei comendo de colher, de tão suave e bom

Mas, calma, que ainda nem começamos. Bom, em seguida, chegam sucos naturais detox, iogurtes, taças de champanhe (seleção do chef) e amuses bouches. Escolhi como entrada o Fines tranches d’artichauts de Bretagne, mâche, truffe noire (Finas fatias de alcachofra da Bretanha, salada e trufa negra) e como prato à base de ovos orgânicos, o  Œufs mollets cardinal fond d’artichaut, lamelles de truffe, médaillon de homard (Ovos cozidos com fundo de alcachofra, fatias de trufa, medalhão de lagosta). Não que tenha achado sem graça, foi mais no sentido you gotta love organic food, babe. Uma cozinha que se quer natural, orgânica, sem exageros e responsável tem seu preço. Eu confesso não ser fã de tanta naturalidade, mas Alain Ducasse é Alain Ducasse. Ponto.

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Em seguida, uma seleção de três queijos vindos da maison Anthès, entre o Comté 18 meses, Reblochon fermier, Camembert au lait cru, Emmental, Sainte-Maure. Todos, de tão bons, ardem na boca. Sinal de que ficaram excelentes com o Chablis rouge que os acompanhava. Uma bandeja de diferentes qualidades de maçãs chega à mesa para limpar e refrescar o paladar antes do que estava por vir. Aliás, nota dez para a próxima sequência: os desserts de Christophe Michalak et de seu chef pâtissier Jean-Marie Hublot (aliás, Michalak deixou o restaurante nessa semana depois de 15 anos de casa, sigh, sigh). Preparem-se porque aqui é jogo duro: uma frigideira inteira de arroz doce caramelizado ao modo creme brulée de uma gostosura sem limites chega à mesa. Pequenas verrines, uma musse de chocolate, confit de praliné crocante sem glúten, panna cotta Fiord com calda de framboesa, limão verde com creme de chá matcha e frutas vermelhas, streusel, cereais e chantilly de limão verde. E por que não emendar com uma tirinha de chocolate com frutas secas de Michalak? Já que a gente já esta aqui…uma perdição. Sem esquecer sua famosa Religieuse de Caramelo e Manteiga Salgada, with no words to describe it.

O preço dessa farra é haute couture de verdade: 110€ por pessoa. Mas levando em conta o décor, os pães, queijos, baguettes, religieuses, o néctar chamado vinho, o champanhe, o terraço juste à côté – que fora de temporada ainda fica lindo, mesmo com os galhos marrons -, o riz au lait, vale a pena testar o universo desse chefe que é uma referência gastronômica e cultural.

+ Plaza Athénée
Os brunchs acontecem de sábado à quarta-feira, das 11h às 13h.
25 avenue Montaigne
75008 Paris