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A trajetória de Doda Miranda se confunde com alguns dos momentos mais importantes do hipismo brasileiro. Cavaleiro olímpico e nome de projeção internacional, ele construiu grande parte da carreira entre o Brasil e a Europa, sem perder a ligação com a Sociedade Hípica Paulista, espaço que teve papel importante em sua preparação e na manutenção de seus cavalos no mais alto nível de competição. Essa relação também passa pelo JHSF Indoor, uma das principais competições do calendário hípico nacional e um concurso que ocupa um lugar especial em sua história. Doda conquistou três vezes o Grande Prêmio do Indoor e, mesmo durante os anos em que vivia na Europa, chegou a retornar ao Brasil especialmente para disputar a competição.
Durante a 36ª edição do JHSF Indoor, realizada na Sociedade Hípica Paulista, Doda conversou com a Harper’s BAZAAR Brasil sobre essa trajetória, a importância do clube em sua carreira e a relação que construiu com os cavalos desde a infância. O cavaleiro também falou sobre seu envolvimento com a equoterapia e sobre como uma relação que começou marcada pelo medo se transformou não apenas em profissão, mas em uma das grandes paixões de sua vida.

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Harper’s BAZAAR Brasil – Queria que você contasse um pouco sobre a sua relação com a Sociedade Hípica Paulista. Como começou essa trajetória e qual foi a importância do clube para a sua carreira?
Doda Miranda – Sou suspeito para falar da Sociedade Hípica Paulista. É um clube que sempre fez muito por mim. Quando eu já morava na Europa, era sócio do Clube Hípico de Santo Amaro e disse ao meu pai que era importante estarmos também em um clube como a Hípica Paulista, principalmente pela infraestrutura.
Diversas vezes, fazia temporadas na Europa e trazia meus cavalos para competir no Brasil. Pela qualidade técnica e por toda a estrutura hípica da Sociedade Hípica Paulista, era aqui que eu conseguia manter meus cavalos em altíssimo nível, seguindo o mesmo padrão de treinamento que tinha na Europa.

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HBB – O JHSF Indoor também ocupa um lugar importante na sua trajetória. O que essa competição representa para você e como foi conquistar o Grande Prêmio três vezes?
DM – O Indoor é um concurso muito especial para mim. Sem dúvida nenhuma, se você perguntar a qualquer cavaleiro brasileiro, vencer o Grande Prêmio do Indoor é um sonho.
Algumas vezes, vim especialmente da Europa para prestigiar e saltar o Indoor. Tive a felicidade de conquistar o título três vezes, além de ter cerca de dez classificações entre os seis primeiros. É um título importantíssimo para o meu currículo internacional.

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HBB – Você também construiu uma relação muito próxima com a equoterapia. Como o cavalo transformou a sua própria vida e por que apoiar esse trabalho se tornou tão importante para você?
DM – Comecei a montar muito cedo e sempre tive bastante medo. O cavalo transformou a minha vida. Era um esporte que me causava medo, e muitas pessoas não acreditavam que eu pudesse superar isso e me tornar um cavaleiro olímpico. Por meio do cavalo, consegui superar esse trauma, e isso foi muito importante na minha vida.
Ao longo da minha carreira, quando conheci a equoterapia, sempre procurei ajudar e apoiar. Durante muitos anos, fui padrinho, apoiador e patrocinador da equoterapia na Sociedade Hípica Paulista.
O próprio esporte nos ensina muito sobre empatia. Estamos montando um animal e precisamos entender como ele se sente, tentar imaginar como estaríamos nos sentindo no lugar dele.
Quando falamos de crianças, que é uma causa que toca muito o meu coração, pude acompanhar de perto o que o cavalo é capaz de fazer para melhorar a qualidade de vida delas, ajudá-las a conquistar mais autonomia e, principalmente, vê-las felizes, abrindo um sorriso enorme.
Isso sempre me tocou muito. Desde então, sou apaixonado pela equoterapia e faço tudo o que está ao meu alcance para apoiar essa causa maravilhosa.

