Na sala do seu apartamento, Lily usa vestido Giles, broche e bracelete Prada e sandália Casadei - Fotos: Reprodução/Harper's Bazaar
Na sala do seu apartamento, Lily usa vestido Giles, broche e bracelete Prada e sandália Casadei – Fotos: Reprodução/Harper’s Bazaar

Inesperadamente, bem acima de King’s Cross, uma das mais movimentadas estações de trem de Londres, fica o mundo criativo de Lily Cole. Descrever a ruiva de quase 1,80 m como modelo ficou obsoleto nos últimos quatro anos. Além de carreiras de sucesso como atriz e incansável defensora de causas éticas, a julgar por seu apartamento, ela mostra ter também um dom para a decoração de interiores.

“Quando me mudei, os pedreiros iam pintar as portas de branco”, ela lembra. “Mas briguei com eles para que não pintassem. Na verdade, briguei com eles sobre um monte de coisas.”

Valeu a pena. Lily se mudou há três anos e, com a cenógrafa Sophie Phillips, passou o primeiro ano no apartamento mudando completamente seu interior, inclusive removendo o piso. Agora, as únicas instalações originais estão na cozinha, que ela ainda tem planos de transformar em um pequeno closet.

Armário de farmácia vintage no banheiro de azulejos - Fotos: Reprodução/Harper's Bazaar
Armário de farmácia vintage no banheiro de azulejos – Fotos: Reprodução/Harper’s Bazaar

O papel mais importante de Sophie Phillips na reforma foi o projeto da suíte principal: um espaço escuro, com azulejos verde-esmeralda, banheira de cobre que viraria sucata e invejáveis armários de farmácia antigos na parede, repletos de produtos de beleza. Porém, considerando a enorme quantidade de livros de arquitetura no escritório de Lily, fica claro que ela participou diretamente do projeto desde o primeiro dia. A sensação que se tem é de um espaço pessoal, não um cenário.

Crayons e livros de arte decoram o apartamento de Lily - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
Crayons e livros de arte decoram o apartamento de Lily – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Graças a suas constantes viagens para projetos de caridade e fair-trade, Lily colecionou tesouros do mundo inteiro. O cavalo de carrossel, trouxe de Buenos Aires; a rara cômoda arlequim, do Marrocos; os estofamentos coloridos, ganhou de uma mulher que conheceu em Gana, numa viagem recente para a marca Body Shop, da qual, hoje, é a maior porta-voz mundial.

Aos 23 anos, Lily tem um gosto maduro, que poucas mulheres da sua idade têm. Pudera. Rodeada de criatividade, desde que foi descoberta por um agente de modelos, com apenas 14 anos, sofreu forte influência de sua mãe, a artista Patience Owen. A arte, claro, domina todo o apartamento. Uma grande foto da série Washington DC, de Juergen Teller, em que Cole parece uma boneca, tem lugar de destaque na parede do escritório, e, agora, ela contempla a máscara original, enquadrada e posicionada logo abaixo, no chão. As imagens, entretanto, não dão impressão de narcisismo. Simplesmente contam uma história.

Sapatos de cetim Sergio Rossi e desenho de pavão feito por Lily - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
Sapatos de cetim Sergio Rossi e desenho de pavão feito por Lily – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Lily se formou, com menção honrosa, em História da Arte pela Universidade de Cambridge. O diploma não mudou seu gosto artístico, ela diz, simplesmente o informou mais. No chão de seu quarto, uma pintura incompleta de um pavão, na qual está trabalhando, deve substituir o “homem anatômico”– como descreve um quadro pregado na parede de seu quarto. Em outra parede, acima de um trabalho de sua mãe e uma das papoulas de sua avó, fica uma pintura de três filhotes de cachorro que Lily mesma pintou. “Adoraria pintar mais, porque gosto muito de experimentar e explorar. Mas quero fazer arte, em vez de me autointitular artista, com todas as conotações que isso carrega.”