John Flynn está em São Paulo e bate-papo com a Bazaar - Foto: Alexandre Virgilio/SiteRG
John Flynn está em São Paulo e bate-papo com a Bazaar – Foto: Alexandre Virgilio/SiteRG

Por Matheus Evangelista

Harper’s Bazaar conversou com o diretor internacional da Fred Perry, John Flynn, que desembarca pela primeira vez no Brasil, onde inaugura nesta terça-feira (18.06) a loja da marca britânica no shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Entre preços, taxas e outros impostos, falou sobre a dificuldade de abrir as portas em solo verde e amarelo, além dos desafios que precisa superar para expandir a grife internamente.

John falou também do plano de expansão para o Brasil, das linhas especiais assinadas por Raf Simons – que será vendida por aqui! – e também da Fundação Amy Winehouse, que ajuda pessoas viciadas em drogas, em Londres. Nosso papo aconteceu no QG da empresa, na rua Augusta. Entre um café e outro, Flynn disse gostar de samba, elogiou a animação espontânea dos cariocas e está impressionado com as dimensões da capital paulista.

Harper’s Bazaar – O Brasil está passando por uma “invasão” de marcas internacionais. Chanel, Miu Miu, Dior e Fendi são só algumas que abriram as portas em São Paulo este ano. A marca Fred Perry já é querida pelos brasileiros. O que motivou a abertura da primeira loja da marca no país?
John Flynn – O cliente brasileiro já é um grande conhecido nosso e está sempre em busca de novidade. Atualmente, os mercados estão em sintonia e estamos vendo que há uma mudança interna, e que o Brasil é o país da vez.

HB – Quais são os planos da Fred Perry para o Brasil. Há algum projeto de expansão?
JF – Vamos chegar com calma. Assim como um convidado que chega à festa e olha o espaço, para reconhecer o terreno e ver se encontra algum rosto conhecido, vamos fazer o mesmo. Primeiro precisamos descobrir os gostos dos brasileiros, o que será sucesso de consumo e fazer ajustes para que a marca atenda as necessidades locais. Porém, já planejamos a abertura de seis novas lojas ao longo de dois anos em território nacional.

HB – Como vocês avaliam o consumidor brasileiro?
JF – Os brasileiros são extremamente vaidosos e gostam de moda, novidades, mas sempre de olho nos básicos – uma t-shirt lisa, uma camisa que vai bem com tudo. Não gostam de gastar dinheiro com aquilo que não possui um valor agregado, ou que simplesmente não vale a pela.

HB – Vamos falar de preço. Uma camiseta básica custará quanto? Houve alguma pesquisa de mercado para fixar os preços no Brasil?
JF – Não deve ser nenhuma surpresa para vocês que as taxas e importações encarecem as marcas internacionais. Nossos preços aqui no Brasil serão 20% mais caros do que o encontrado nas lojas em Londres ou em Nova York, e posso dizer que o consumidor brasileiro vai pagar exatamente o preço aplicado na Rússia e no Japão, por exemplo.

HB – Foi criado algum produto especifico, focando nas exigências dos brasileiros?
JF – Por enquanto não. Não temos este costume e, como disse, precisamos enxergar o consumidor antes e não impor algo que ele deva gostar. E se não gostar, o que fazemos? Talvez uma linha especial para os brasileiros seja criada, ou uma coleção com cores inspiradas na bandeira de vocês. Não há nada planejado, mas não significa que não poderá acontecer.

HB – Há a possibilidade de alguma parceria com artistas nacionais?
JF – Claro que sim. Adoramos esta proximidade. Sabemos que há artistas de todas as vertentes por aqui, de grafiteiros a músicos. e todos devem ser talentosos, mas por agora não há nenhum planejamento para que algo parecido aconteça.

HB – As coleções assinadas por Raf Simons, atual diretor criativo da Dior, serão vendidas aqui?
JF – Serão sim. Esta coleção é especial, uma das favoritas dos nossos clientes e, por aqui, deve desembarcar a coleção de inverno 2013, que estava nas lojas do hemisfério norte há alguns meses. A próxima deve chegar por aqui até o final de 2013.

HB – E as peças criadas pela Fundação Winehouse. Devem desembarcar por aqui ou não?
JF – Também serão vendidas por aqui. Esta linha é um orgulho para nós. Quando Amy estava viva, foi um sucesso. Depois da tragédia e da morte repentina, não sabia como ficaria. Entrei em contato com os pais dela para saber o que poderíamos fazer a respeito, já que seria antiético continuar a cria uma coleção com o nome de uma pessoa que já não está mais entre nós. O pai de Amy disse que queria continuar e uma amiga que conhecia muito bem a cantora se tornou a consultora de estilo, nos ajudando a criar as peças. E vale lembrar que tudo que é vendido tem renda revertida integralmente ao projeto.

HB – Em 2013 a Fred Perry completa 60 anos. Quais as surpresas que podemos esperar da marca?
JF – Para a comemoração nós preparamos uma coleção especial de 60 camisetas polo – cada uma customizada por um artista diferente, como Christopher Raeburn, Raf Simons, Pierre Debusschere e a dupla de fotógrafos Inez & Vinoodh. Estas camisetas já estão em leilão pelo eBay e os lances podem ser dados até o dia 21 de julho. Toda renda será revertida para a Fundação Amy Winehouse.