
Lebenites + Cisne Negro-
Casa de Criadores 57-
Foto: Marcelo Soubhia
A 57ª edição da Casa de Criadores começou com uma imersão completa no encontro entre moda e arte. O primeiro dia trouxe uma apresentação que ultrapassou os limites do desfile tradicional: Lebenites transformou a passarela em palco ao lado da companhia de ballet Cisne Negro. A performance integrou códigos do ballet clássico, gestos atletizados e referências ao ambiente de academia, articulando temas como corpo, saúde e expressão estética contemporânea. Os bailarinos, vestindo as peças da coleção, conduziram o público por uma narrativa visual e sensorial que uniu técnica, simbolismo e emoção.

Talentos Senac –
Casa de Criadores 57-
Foto: Marcelo Soubhia
Na segunda parte da noite, o Desfile Talentos Senac Moda destacou a força das novas gerações do design brasileiro. Sob direção de João Pimenta, 14 estudantes do Bacharelado em Design de Moda do Senac desenvolveram, modelaram e costuraram uma coleção autoral composta por 28 looks. O projeto parte da sustentabilidade, da pesquisa de materiais e da versatilidade do algodão brasileiro como protagonista. Nomeada como “Nudes”, a coleção celebra a pluralidade dos tons de pele nacionais, criando peças pensadas para refletir a cor de cada modelo. O resultado é um trabalho coletivo que une técnica, sensibilidade e propósito, revelando a potência criativa dos futuros profissionais da moda.
Além dos desfiles, o primeiro dia da Casa de Criadores também abriu espaço para uma exposição que apresentou projetos autorais de diferentes estilistas, transformados em obras de arte. Em instalações, fotografias, esculturas têxteis e experimentações materiais, cada criador revelou processos, narrativas e inquietações que extrapolam o vestir. A mostra reforçou o caráter multidisciplinar da edição, celebrando a moda como linguagem artística, território de pesquisa e expressão cultural — um convite para o público explorar o pensamento criativo por trás das coleções que desfilam na passarela.
A edição amplia seu papel como plataforma de transformação cultural ao promover, entre 3 e 5 de dezembro, um ciclo de debates voltado a temas urgentes da moda contemporânea — da pluralidade de corpos e etnias à responsabilidade socioambiental, passando pelo cenário de exportação para a moda autoral. Com curadoria da pesquisadora, artista e designer Carol Barreto, as mesas-redondas acontecem na sala Lima Barreto do Centro Cultural São Paulo e contam com representantes da ApexBrasil, Abit e especialistas do setor. A programação abre com a reflexão “Qual Moda, para Qual Mundo?”, conduzida por integrantes do conselho da Instituta Casa de Criadores, incluindo Karlla Girotto, Neon Cunha e Dudu Bertholini. Nos dias seguintes, o debate segue com duas mesas diárias mediadas por Carol Barreto e pela curadora e historiadora Hanayrá Negreiros, abordando marcadores sociais, sustentabilidade e caminhos mercadológicos para o futuro do design brasileiro.
Patrocinada por instituições como ApexBrasil, MEMP, Abrapa, Sou de Algodão, Kenner, Senac São Paulo, Santista e Singer — além do apoio do Sebrae São Paulo, CCSP e Prefeitura — a iniciativa reforça o compromisso da CdC com formação, pensamento crítico e a expansão da moda autoral no país.

