Christian Dior  verão 2016 - Foto: reprodução
Christian Dior verão 2016 – Foto: reprodução

Por Luigi Torre

“Eu queria que a coleção tivesse pureza”, disse Raf Simons sobre o verão 2016 da Dior e uma das coleções que melhor equilibra suas referências de cultura jovem e design minimalista com a essência romântica da maison. “Para simplificar e me concentrar em uma linha que expressasse uma ideia de feminilidade, fragilidade e sensibilidade sem sacrificar força e impacto.” Quem vem acompanhando os desfiles internacionais até agora vai identificar aí alguns pontos centrais da temporada: a questão do conforto, da facilidade, da leveza e de bem-estar. Afinal, quem quer mais do que isso sob altas temperaturas?

Assim, Raf sai numa missão antiexcessos, limpando sua coleção de qualquer elemento ou decoração desnecessária. O foco é na pureza de linha e técnica. O que na passarela se traduz em looks como os conjuntos de bermudas e tops de barras onduladas, como versões modernas de lingeries do século 19; os vestidos-camisola quase invisíveis de tão leves e transparentes; os chemises com plissados sob tricôs cropped e mangas volumosas; os ternos futuristas de três peças; e as parkas esportivas de cetim de seda, numa versão de luxo das referências de cultura jovem tão influentes para o estilista.

Impossível não pensar nessa limpeza estética e não lembrar dos excessos que se acumulam em nossas vidas. Como se a proposta fosse mesmo essa limpeza purificadora, essa fuga para natureza em busca do novo, de um recomeço. Bem como o que acontece na Dior sob comando de Simons. Uma Dior que combina passado, presente e futuro para falar do aqui e agora. Uma Dior que combina sua própria história com as paixões de seu atual diretor de criação. “Há camadas literais do passado, dos trajes de baixo em estilo vitoriano sobrepostos por vestidos enviesados, jaquetas Bar e tricôs rústicos, mas para mim tudo isso ainda parece incomumente futurista e estranhamente romântico. Como se essa mulher estivesse prestes a viajar através do espaço e tempo”, explica Simons.

É que quando já vimos de tudo e quando todo produto cultural é fruto de um remix, o novo deixa de ser apenas oposto de velho. Se tornam dependentes, já que é a tensão entre os dois que produz os efeitos mais interessantes, relevantes e desejáveis.