Clô Orozco - Foto: Reprodução
Clô Orozco – Foto: Reprodução

por Patricia Carta

Visitava com frequência o showroom da Huis Clos na rua Hungria, em 1980, ano em que comecei a trabalhar. O showroom da Gloria Coelho também ficava lá, mas esse, por ordens superiores, não devia ir.

Regina Guerreiro, minha chefe na ocasião, e Gloria eram brigadas. Assim que fui entrando no mundo da moda pouco a pouco. As descobertas que fazia eram absolutamente reveladoras e fascinantes e a Clô, estilista da marca, está entre elas.

Eu era uma menina de 20 anos ainda sem ligação direta com o mundo da moda e da criação e as mulheres do high seguiam um código fashion mofado e distante daquele que as revistas de luxo começavam a apontar. A vida era  muito mais de nicho e a informação, um grande privilégio.

Lembro bem do impacto  ao me deparar com a Clô vestida em várias camadas de bege. Aos 30 anos era uma mulher muito bonita de rosto quadrado e pele sardenta frequentemente comparada a Isabella Rosellini.  Esse encontro fortuito representou para mim quase que um ritual de passagem, a compreensão de outra estética, de outro look.

A imagem mitificada logo cedeu espaço a uma amizade gostosa. Clô era doce, suave, sofisticada. Ajudou muito a imprimir qualidade ao guarda-roupa da mulher brasileira. Saudades.