Foto: Giampaolo Segura/ reprodução
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“Joias são como pequenas esculturas, uma mistura perfeita de arte, design, arquitetura e moda”, diz Magdalena Frackowiak, modelo que transcendeu as passarelas para se aventurar com ligas metálicas das mais nobres. “Resolvi me tornar uma joalheira para aliar diferentes interesses pessoais. Desenhar une tanto o meu desejo de ser criativa quanto o meu amor pela arte”, explica, em entrevista à Harper’s Bazaar Brasil. Formada em arquitetura, ela privilegia formas geométricas, volumes e texturas em peças que parecem abraçar o corpo.

Foto: Giampaolo Segura/ reprodução
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Como matéria-prima, escolheu o ouro em estado quase bruto. Para a coleção de estreia, criou 26 peças de tamanhos e acabamentos distintos. Pulseiras e braceletes que guardam marcas de marteladas, brincos que lembram um par de discos levemente ondulados – imitando o movimentos das águas – e broches que parecem perfurar a lapela das roupas.Tudo pensado e desenhado para mulheres fortes, mas também para homens, como os anéis tubulares, um de seus maiores sucessos. Magdalena acumulou know-how observando preciosidades no próprio corpo. Mais especificamente, nas campanhas que estrelou para Bvlgari, Gianfranco Ferré e Givenchy. “Foram 15 anos de convivência com pessoas criativas, experiência que moldou meu olhar. Sem a moda, nada disso seria possível”, diz a top de 30 anos.A paixão pela joalheria veio de família.“Lembro-me das joias que a minha avó e a minha mãe usavam, eram peças lindas. As pedras sempre roubavam a cena, mas o ouro tem poder próprio”, explica, sobre sua matéria-prima favorita, que, nas mãos dela, ganhou nova coloração. “É minha assinatura, algo entre o rosa e o amarelo, efeito alcançado na mistura de diferentes porcentagens de prata e cobre.”

Foto: Giampaolo Segura/ reprodução
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Inspirada pelas linhas modernistas do escultor americano Richard Serra e do arquiteto Oscar Niemeyer (além de obras de artistas como man Ray e Louise Bourgeois), a polonesa trabalha com spikes, tubos e cilindros, tudo manufaturado em seu país natal, por artesãos locais. Foi com eles, aliás, que aprendeu todas as técnicas empregadas no processo.“Não uso computador, cada peça é esculpida è mão. Sou muito visual e trabalho em cima de protótipos feitos de cera ou prata. Minha relação com a criação é intuitiva, e o design é muito simples. A inovação está na possibilidade de mistura e composição das peças.”Adepta dos clássicos, ela gostaria de ver suas joias no corpo de Veruschka, épica modelo alemã dos anos 1960.“Ela era única, forte, elegante e moderna. Desenho para mulheres assim.”