Por Silvana Holzmeister

O escultor botânico Makoto Azuma transforma plantas comuns em obras de arte. Não que a natureza tenha falhado neste quesito. Esse japonês, que esteve no Brasil no ano passado, já congelou seus arranjos para decorar a passarela de Dries Van Noten e até os enviou ao espaço. Uma característica do seu trabalho são as cores dramáticas. E é aqui que começa a conexão com a Printing. Para comemorar os 20 anos da marca mineira, a diretora criativa Márcia Queiroz foi buscar inspiração no trabalho de Azuma para inspirar a cartela cromática e desenvolver estampas digitais localizadas. “Elas foram idealizadas uma a uma, para encaixar no corte da peça”, conta Márcia.

Estampas e o trabalho primoroso com as cores está no DNA da marca, que procura desenvolver o tom dos pigmentos e tingir os tecidos para alcançar coloridos personalizados. Desta vez, foram rosas, vermelhos e azuis exuberantes trabalhados em blocos ou em enfeito monocromático que atravessaram a passarela em looks quase sempre de festa. “Quis me concentrar nos desenhos e nos efeitos artesanais no lugar dos bordados”, explica Márcia, que conta com o suporte do estilista Daniel Rodrigues. São primorosos os vestidos feitos com camadas finíssimas de seda navalhada. Os longos exigiram quase um mês de trabalho para serem confeccionados. Minipaetês aparecem de forma curiosa, cobrindo uma renda geométrica que, de longe, lembra fuxicos.

Para mostrar a coleção, que já está na loja, a marca escolheu o terraço do edifício Acaiaca, no centro de Belo Horizonte, que completa 70 anos em 2017. Com mais de 120 metros de altura, foi projetado por Luiz Pinto Coelho, genro do idealizador do arranha-céu, Redelvim Andrade. Márcia conta que foram mais de 15 dias de trabalho para conseguir preparar o espaço para abrir o desfile realizado ontem à noite (20.09), que contou com várias amigas da marca, como a bailarina Janaina Castro, do Grupo Corpo.