Foto: Guislad Sasporta
Foto: Guislad Sasporta

Por Luigi Torre

Quando Johanna Senyk foi anunciada vencedora do prêmio Andam (um dos principais concursos de jovens designers, com Martin Margiela, Anthony Vaccarello e Iris van Herpen entre os vencedores), o Rio Sena estava prestes a transbordar. Há tempos não chovia tanto em Paris e, embora não possamos falar em bem-vinda coincidência, é impossível ignorar a particularidade do fato: Wanda Nylon, marca que Johanna lançou em 2012, nasceu focada em capas de chuva. “Estava cansada de escolher entre roupas feias e impermeáveis ou ficar molhada”, diz ela.

De lá para cá, muito mudou. Apesar de se dizer apaixonada por projetos de nicho, Johanna logo se sentiu limitada. “O conceito de roupas de vinil ou materiais à prova d’água pode ser um pouco restritivo.” Assim, em 2015, a Wanda Nylon encerrou a linha masculina, expandiu a feminina e decidiu mostrar a novidade durante a semana de moda de Paris. “Foram seis meses de muito trabalho, mas gosto de estar em posições em que as pessoas não esperam me encontrar.” Foi um sucesso. Além dos materiais tecnológicos e impermeáveis que já dominava (sua primeira peça foi feita com cortina de chuveiro), couro estampado, tricôs, tons iridescentes e silhuetas nada usuais a colocaram entre os criadores parisienses que estavam revolucionando a moda francesa.

Filha de pais poloneses, Johanna cresceu entre a Argélia e o interior da França, mergulhada nos catálogos da loja de departamento francesa La Redoute. Aos 18 anos, mudou-se para Paris e, de cara, conseguiu um estágio na editora Hearst (o qual durou aproximadamente uma semana). Depois vieram algumas experiências com styling para revistas como “The Face” e “Crash“, um breve período como figurinista (tem dedo dela em alguns dos clipes mais fantásticos de Jamiroquai) e trabalhos com diretores de castings para Dior, Calvin Klein, Alexander McQueen, Givenchy, J.W. Anderson e The Row. A vocação criativa era certa, faltava encontrar o meio ideal. O que aconteceu meio por acaso, no fim de 2012, quando esboçou as primeiras jaquetas Wanda Nylon. “Sou uma garota de desafios”, diz ela, sobre sua obsessão sensorial, que a levou a desenvolver seu próprio tecido plastificado. Suas criações combinam o fetiche das imagens de Helmut Newton de mulheres em jaquetas de PVC transparente, o futurismo 60’s de Courrèges e um quê de armadura fashionista à la Blade Runner. “Crio roupas que dão um leve to- que de confiança e proteção às mulheres, e que as façam se sentir poderosas.” De personalidade forte, livre de qual- quer julgamento estilístico – “não dou a mínima para o que os outros pensam sobre o que visto” –, Johanna ainda cita arte, arquitetura e música como fontes frequentes de inspiração. Sempre oscilando entre polos opostos – Caravaggio com fotos de Joel-PeterWitkin,Wu-Tang Clan com Maria Callas.

Foto: Guislad Sasporta
Foto: Guislad Sasporta

Na casa que divide com o companheiro Guillaume, no 20º arrondissement de Paris, porém, a atmosfera é oposta.“Completamente diferente”, continua Johanna. “É minha vida pessoal com Guillaume. Decoramos tudo com tecidos e materiais lin- dos que interagem com a gente (madeira e vidro, couro e tweed, pele de ovelha e seda), com influências globais e um pouco de anos 70”, finaliza.