L’Atribu: conheça a grife que faz casacos exuberantes

A estilista Eugénie Zagamé lança coleção-cápsula

by Silvana Holzmeister
Foto: Divulgação

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Depois de dançar a noite toda com vestidos peso-pluma, as parisienses moderninhas dos anos 1920 se aqueciam enroladas em casacos exuberantes com tempero oriental. Apaixonada por essa imagem, a estilista Eugénie Zagamé, 28 anos, adora garimpar pela Europa tecidos preciosos para transformá-los em cocoons e quimonos curtos, chamados de kiru, para a sua marca, L’Atribu.

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Eles são as estrelas da coleção-cápsula “Divine Edylle”, que ela lança em maio de 2019. Francesa de alma nômade, e atualmente radicada em São Paulo, Eugénie leva para seu trabalho um multiculturalismo que tem tudo a ver com sua história de vida. “Nasci em Tours, no Vale do Loire, uma região de castelos de veraneio, a duas horas de trem de Paris”, conta ela.

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Filha de pai francês e mãe uruguaia, ela já morou na Venezuela, Buenos Aires, Barcelona, Nova York, Milão, Paris e Suíça, ora em função do trabalho do pai, na indústria farmacêutica, ora por causa de seus estudos. A paixão pela moda é herança materna. “Minha mãe sempre amou moda e coleciona peças diferentes. Trouxe isso dela”, conta, acrescentando que esse fascínio começou a virar sonho de profissão aos 16 anos, quando foi fazer um curso de verão na Parson’s, em Nova York.

De lá, encarou a graduação em design de moda no Instituto Marangoni de Paris e Milão. Para a coleção de formatura, criou peças em seda tingidas em tye-die com pigmentos orgânicos. “Queria uma conexão com a natureza e com o feminino, que é um DNA que carrego até hoje”, diz.

Na sequência, fez especialização em modelagem na escola da Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. O apreço por texturas garantiu a vaga para trabalhar no setor de tecidos da Paco Rabanne e Sonia Rykiel. Depois, passou para a criação na Loris Azzaro. “Transitei entre o prêt-à-porter e a alta-costura. Cher e Björk vestiam. Foi uma época rica em aprendizados, porque eram sempre peças únicas, que é o que mais curto fazer”, recorda a estilista.

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Segundo ela, trabalhar nessas marcas foi de extrema importância para montar a rede de fornecedores que hoje a abastece com tweeds e jacquards que são transformados, principalmente, em patchworks para dar corpo a seus casacos. Os da nova safra têm nos forros o elemento-surpresa. “Eles reproduzem fragmentos da tela Cartografias Afetivas, da artista Isabelle Ribot“, conta Eugénie sobre o trabalho desta outra francesa radicada na capital paulista.

O ateliê de Isabelle fica em um prédio antigo da Avenida São Luís, no centro, e, para criar a tela, ela fez entrevistas com os vizinhos para saber o que eles acrescentariam nesta região. “O resultado aparece em desenhos abstratos feitos em pinceladas e aquarelas. Tenho duas partes dessa obra que transformei em estampa”, explica a estilista, que estudou com a artista aos 12 anos, quando sua família morou, por um breve período, em São Paulo.

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Foi por se identificar com a bossa brasileira que Eugénie resolveu montar QG por aqui, quando quis impulsionar a marca própria, logo depois de ter uma pop up em uma galeria de arte na praia de José Ignacio, no Uruguai. “Minha família tem casa lá, queria sentir a recepção das clientes e foi ótimo”, recorda, acrescentando que, tanto para a linha de dia a dia em alfaiataria, quanto festa e casacos, procura fazer três provas antes de finalizar e não abre mão de acabamentos perfeitos. “Sou exigente em relação aos detalhes”, diz ela.

A L’Atribu tem peças à venda no ateliê na Vila Nova Conceição, no showroom que abre este mês na Vila Madalena, em São Paulo, e também no e-commerce Gallerist; e já atraiu nomes como a influencer Francesca Monfrinatti, a cantora Luiza Possi e a empresária Carol Andraus. No segundo semestre, Eugénie planeja participar da Who’s Next, bolsa de jovens criadores que acontece na capital francesa, para fazer o caminho inverso, internacionalizando a marca. Até lá, estão no seu radar as garotas paulistanas moderninhas que querem se aquecer neste inverno com savoir faire parisiense.

L’Atribu: rua João Lourenço, 683, conjunto 102, Vila Nova Conceição. Tel. (11) 3062-3249

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