Foto: Divulgação
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Por Paula Rita Saddy

Marie Marot é o tipo de mulher que você encontra usando derbies, calça de alfaiataria e um chapéu no terraço do Café de Flore, ou procurando livros na livraria L’Écumedes Pages. São pessoas como ela que fazem o mundo se apaixonar por Paris. Ela é também, ao lado de nomes como Simon Porte Jacquemus e Guillaume Henry, parte de uma geração de novos criadores que mistura referências da tradição francesa com toque avant garde. Ela nunca fez escola de moda, mas sua marca de chápeus e camisas básicas-mas-nem-tanto, moldada a sua própria imagem, vem atraindo fãs mundo a fora e, com apenas quatro coleções, já possui 50 pontos de venda – a multimarcas Colette, aliás, acaba de dedicar uma vitrine inteira a sua coleção de camisas.

“Tudo começou depois de uma experiência como relações-públicas em moda”, explica ela, em entrevista à Harper’s Bazaar Brasil, em Paris. “Vi que isso não era para mim e tive a ideia de fazer uma exposição com alguns jogos de palavras de duplo sentido, gravados em placas de bronze. A mostra acabou não acontecendo, mas a ideia evoluiu e decidi produzir as pequenas placas em bronze para colocar em carteiras e gorros, duas coisas que uso muito no meu dia a dia.” São palavras como Poe(trY), aL(oNe) ou nomes importantes para ela, como Moz[art], [War]hol, Heming[way], B[as]quiat, que revelam seu apurado e um tanto subversivo senso de humor.

“Nunca pensei em criar itens de moda, mas bons objetos, atemporais e fortes, que contassem um pouco da minha história, algo que dê vontade de colecionar.” e dá, como provam a horda de meninas que encontram em suas peças o resultado certo para a equação entre masculino e feminino, clássico e cool, prático e sofisticado.

Depois do sucesso dos gorros e carteiras, Marie começou a desenhar camisas e chapéus, outros itens indispensáveis em seu próprio guarda roupa.“Não tem nada mais sexy e moderno do que uma mulher com uma linda camisa – não podemos nunca nos esquecer dos bons básicos. Se você observar, as mulheres de personalidade forte e elegância sem igual, como Inés da La Fressange ou Caroline de Maigret, elas são as mais simples.” Discurso firme, que só soma a verdade e consistência de sua marca. Marca, aliás, que preza também pela máxima qualidade.

Sua camisas com linhas puras, por exemplo, são fabricadas com exclusividade em Istambul – “uma cidade jovem e cheia de energia, que me inspira muito”. Minimalista até na beleza, ela prefere cremes naturais, como os da recém- lançada marca Bully, do amigo e artista Ramdane Touhami, ou tratamentos do Spa Clarins, do qual é assídua. “Não uso muita maquiagem, mas adoro todos os cuidados com a pele e o corpo. Só não abro mão de um batom vermelho para sair à noite.” Fã de Picasso, Alberto Giacometti, Pierre Soulages e autores como Théophile Gautier e Virginia Woolf, coleciona poemas, cadernos, chapéus, camisas, porta-cigarros, tudo que possui história.