Como os millennials estão mudando o mundo da moda

Essa geração apresenta engajamento e um novo modo de pensar e de se conectar

by redação bazaar
Os irmãos Lucky Blue Smith, Starlie Smith, Daisy Smith e Pyper Smith, mais conhecidos como The Atomics

Os irmãos Lucky Blue Smith, Starlie Smith, Daisy Smith e Pyper Smith, mais conhecidos como The Atomics

Por Giuliana Mesquita

Amigas há menos de um ano, Vic Hollo e Julia Levenstein não se desgrudaram desde que se conheceram pessoalmente.Mas atenção à palavra pessoalmente. Importante frisar, já que, antes de serem assim apresentadas, já se seguiam no Instagram. No feed das duas, a presença da outra é constante. Mesmo com o pouco tempo de amizade, já viajaram juntas pelo mundo. Na última dessas viagens, passaram quase dez dias entre festivais de rock, visitas a parques nacionais e uma roadtrip pela Califórnia.Tudo, claro, devidamente registrado em suas redes sociais. Vale dizer também que a relação das duas não seria possível sem a internet – e isso é um fator definitivo para os millennials: poder se conectar com pessoas e tribos que têm seus mesmos valores.

Millennials, em teoria, é o nome dado à geração que nasceu entre o começo dos anos 1980 e meados dos anos 1990. Porém, mais do que a idade, o que os diferencia de seus antecessores é o modo de pensar e agir. Multitarefas, sempre conectados, engajados e globais, eles cresceram em uma época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. “Hoje, os millennials têm uma importância significativa para a força de consumo. Colaborativa, preocupada e consciente, essa geração questiona identidade e autenticidade”, explica Julie Curan, Mindset Consultant do bureau de tendências WGSN. Segunda ela, muito tem de mudar para as marcas de luxo se alinharem a esses novos consumidores. E, convenhamos, a moda rejeita boa parte dos conceitos caros a eles: nem sempre está conectada com discursos engajados e com acessibilidade, por exemplo. Mas, se depender do verão 2017, nem tudo está perdido.

Esta mais recente temporada foi especialmente significativa, por ter sido marcada pela preocupação das marcas de luxo em mudar o foco e se aproximar dessa geração. Temas como feminismo e inclusão de minorias são pautas quentes no mundo – e, agora, nas passarelas também. Melhor exemplo é a Versace, conhecida pelo apelo sensual (quase sexual) de suas roupas. Desde o verão passado, Donatella Versace faz uso de um discurso feminista para transformar a grife por meio de roupas mais práticas, versáteis e esportivas. Tudo para se conectar com a mulher de hoje. Uma mulher empoderada, para quem a sexualidade tem mais a ver com autoconfiança do que com uma coxa à mostra. Já a Dolce & Gabbana, além de chamar 21 millennials para a fila A, apresentou looks com calças jeans bordadas combinadas a camisetas e luxuosos casacos de paetês. Esse hi-lo é o que melhor representa como essa nova geração quer se vestir: sem muita pompa, mas com uma ou duas peças statement.

Os 21 millenials convidados para o estilo da Dolce & Gabbana

Os 21 millenials convidados para o estilo da Dolce & Gabbana

Para os millennials, a experiência torna-se mais importante do que o produto e a marca. Tome como exemplo Stella McCartney e os formatos diferentes de apresentar suas coleções. Neste verão, ela colocou modelos dançantes na passarela. No último resort, fez da Amoeba (maior loja de discos do mundo, em Los Angeles) palco para sua festa. Sim, festa. Em vez de um desfile clássico, as modelos usavam os looks da coleção entre vinis e drinks. Mais do que as roupas, as pessoas queriam aquele lifestyle. Queriam pertencer àquele grupo. Queriam estar naquela festa. “O grande segredo dessa geração é o valor percebido do produto. Ninguém mais quer pagar caro por alguma coisa só pela etiqueta, só para mostrar que tem. Mas, a partir do momento em que existe um conceito, um estilo de vida e, claro, pessoas ‘certas’ engajadas, o desejo é instantâneo”, explica Vic Hollo, de 24 anos. Millennials também não estão acostumados a se fidelizar a labels. Para eles, vale mais misturar códigos e estilos para criar uma identidade única. “Raramente compro looks completos de uma marca só”, conta a estudante Julia Levenstein, de 22 anos. Isso explica o sucesso da Gucci de Alessandro Michele. O gótico, romântico, vintage, geek e rocker se misturam e criam uma mulher com estética ultradesejável.

Mais do que criar roupas para uma ou outra geração, é importante que a moda perceba a necessidade de se reinventar se quiser atingir um público novo. “Marcas que adotam um propósito, que sejam inclusivas e que entendam a importância da mescla de subculturas ao tradicional vão se destacar”, finaliza Julie Curan.