Giuliana Romanno
Foto: Agência Fotosite

Por Luigi Torre

Giuliana Romano estava recebendo, pessoalmente, seus convidados, na pequena sala de desfile armada na Galeria Rabieh. E a gentileza era só um prenúncio do que nos aguardava: uma coleção rica em detalhes e texturas, para ser não só apreciada (e de perto), mas também sentida. É que ela estava pensando em fuga e o que levaria nessa ousada aventura escapista. A resposta é os clássicos, mas num clima mais à vontade, íntimo até. Sua cada vez mais afiada alfaiataria aparece aqui com silhueta mais solta e desconstruída. São calças amplas, camisas fluidas de mangas alongadas, saias com recortes vazados (já uma assinatura da estilista) e blazers com aberturas laterais e longas tiras (continuação do trabalho do verão passado).

Escapismo já é o sentimento-fetiche do momento e nem é muito difícil entender o porquê (basta abrir os jornais, ligar a TV ou dar aquela rápida lida na sua timeline). Dominou as passarelas internacionais e agora migrou para o lado sul da linha do equador. Mas o que dá força e identidade à fuga de Giuliana leva esse sentimento até para seus elementos mais técnicos, como os paetês sobre renda e os trançados de veludo — ótima interpretação sobre o material-obsessão da estação.