Por Luigi Torre

Gótico, vintage, romântico, esportivo, geek, roqueiro, todos os estilos encontram espaço no mundo criativo da Gucci, de Alessandro Michele. Mas se a cacofonia estética e pluralidade de referências já não causam espanto (pense em vestidos de festa à la anos 80, ao lado de looks quase religiosos, ternos 70’s, estampas renascentistas e até elementos de costumes orientais), o modo como o estilista faz tudo isso fazer sentido na passarela é o que dá frescor ao seu trabalho a cada nova coleção. Nesta, aliás, com um trabalho artesanal e de tecidos nobres ainda mais intenso, ainda que apresentado para rápida e fácil assimilação de uma geração medida pela tela dos celulares – não vai demorar muito para as estampas e bordados das palavras loved, future, modern, Elvis e cemetery tomarem conta de sua timeline.

Numa temporada em que se discute tanto a simplificação extrema das coleções apresentadas na passarela, Alessandro Michele faz do desfile de verão 2017 da Gucci verdadeira celebração do lado mais exuberante é fantasioso da moda. Mais do que isso, faz daquilo também espécie de protesto pró-diversidade, afinal conviver junto é algo que o mundo todo precisa discutir e aceitar.