Del Core, verão 2023 – Foto: Reprodução/Instagram/@delcoreofficial

Todo designer começou por algum lugar. Hoje em dia, com a rapidez das notícias e do ciclo de tendências, fica cada vez mais difícil para novos nomes independentes receberem a atenção que seus trabalhos merecem.

A Bazaar selecionou uma lista de oito nomes internacionais que se destacaram em suas últimas apresentações e merecem ser acompanhados:

Paolo Carzana

Paolo Carzana – Foto: Reprodução/Instagram/@paolocarzana

Paolo Carzana, graduado na Central Saint Martins, teve sua estreia oficial em setembro de 2022, durante a semana de moda de Londres. Em março deste ano, o jovem designer iniciou sua residência na Fundação Sarabande – iniciativa criada por Lee Alexander McQueen, que deixou a maioria do seu patrimônio para financiar novos talentos – e foi nomeado pelo British Fashion Council como um dos destaques da nova geração.

Entre recortes e uma estética que brinca com o movimento das roupas, o grande tema em comum de suas criações é o diálogo entre sua identidade queer e sua infância, principalmente em sua última coleção, batizada de “Queer Symphony” e apresentada na temporada de inverno 2023. O título também é o nome de um poema que ele escreveu durante os anos de faculdade, texto que também inspirou o nome de outra coleção, apresentada ano passado: “Imagine we Could Be the Ones to Change it All”.

Paolo Carzana – Foto: Reprodução/Instagram/@paolocarzana

O núcleo de seu trabalho está em tudo que o assustava na infância e que, hoje, se tornou o motivo de sua força e sucesso, destacando o simbolismo de transformar sua sobrevivência em sua principal inspiração.

Dilara Findikoglu

Dilara Findikoglu – Foto: Reprodução/Instagram/@dilarafindikoglu

Dilara Findikoglu teve a sua estreia na semana de moda de Londres em 2019, não muito tempo depois de sua graduação na Central Saint Martins. Porém a designer passou por um hiato durante a pandemia. Por problemas com seu visto, voltou a viver em sua cidade natal, Istambul, na Turquia, por dezoito meses.

Esse tempo a lembrou de como se sentia presa em sua adolescência, por fatores como religião e tradição. Em sua volta às passarelas, Dilara apresentou uma coleção que resume o aspecto irreverente e inovador de seu trabalho. Com uma ousadia iminente a suas criações, ela se destaca pela produção de statements, como vestidos feitos com mechas de cabelo, pele à mostra e, mais recentemente, um vestido coberto por facas e punhais.

Dilara Findikoglu – Foto: Reprodução/Instagram/@dilarafindikoglu

Sem comprometer a estética da marca, a designer cria um dualismo entre corsets vitorianos e minissaias, que resulta em um diálogo próprio. Suas coleções têm agradado fashionistas, como Bella Hadid e Emily Ratajkowski, que confiaram na designer para criar seus looks para o after party do Met Gala.

Kenneth Ize

Kenneth Ize – Foto: Reprodução/Instagram/@kennethize

O designer nigeriano Kenneth Ize estreou na semana de moda de Paris em 2020. Mas foi seu desempenho formidável na Lagos Fashion Week que ampliou o reconhecimento de sua marca homônima, incluindo uma vaga entre os um dos finalistas do prêmio LVMH.

Depois de algumas temporadas bem sucedidas, o designer se apaixonou pela moda sustentável. Sua mais nova coleção tem peças criadas de materiais e tecidos reciclados adquiridos no mercado de Kantangua, em Lagos, local conhecido por vender roupas descartadas da América e de outros lugares. A coleção mudou a forma como o designer olha para as peças e gerou a decisão de sair do circuito oficial de desfiles para focar em uma produção sustentável, com artesãos de sua cidade natal.

Elena Velez

Elena Velez – Foto: Reprodução/Instagram/@elenavelez

A estilista porto-riquenha faz parte de uma nova geração de estilistas que estão dando um novo ar para a semana de moda de Nova York. Elena Velez se formou em duas grandes universidades de moda, a Parsons School of Fashion, em Nova York, e a Central Saint Martins, em Londres.

Em sua marca homônima, a designer explora a oposição entre espaços da feminilidade, da maternidade a sua força. Nascida em Milwaukee, Elena é filha única de mãe solo, que trabalha como capitã de navios e inspira a visão nada ortodoxa de sua filha sobre retratação do feminino. Assim como sua musa, as coleções de Elena são extremamente confiantes e desafiam o sensual.

Daniel Del Core

Del Core – Foto: Reprodução/Instagram/@delcoreofficial

Del Core – Foto: Reprodução/Instagram/@delcoreofficial

Em 2021, o desfile de Daniel Del Core foi uma das estreias mais comentadas da semana de moda em Milão, se destacando por ser uma das poucas apresentações físicas durante a temporada majoritariamente digital, seguindo as restrições da pandemia na época. Mesmo com um pequeno público, a Del Core cativou os amantes de moda.

O designer, nascido na Alemanha e radicado em Milão, comandou o departamento VIP da Gucci, época em que aprimorou suas habilidades sob a tutela de Alessandro Michele. Com o sonho de voar solo, criou sua marca com inspiração na sensibilidade teatral de designers do final dos anos 1990, como Alexander McQueen e John Galliano.

Seguir uma estreia memorável é difícil, mas com uma imensidão de temas – que vão desde elementos da natureza, como fungos e orquídeas, a cena techno do Japão – são as formas criativas do designer que têm inovado as passarelas europeias.

Tia Adeola

Tia Adeola – Foto: Reprodução/Instagram/@tiaadeola

Designer nigeriana radicada em Nova York, Tia Adeola é uma das criadoras que estão promovendo uma verdadeira reforma na semana de moda norte-americana. Entusiasta da história da arte, uma das grandes inspirações de seu trabalho é ressignificar o termo “realeza”, o associando com a beleza do luxo e da fantasia, especialmente para mulheres negras.

Corsets, babados, vestidos longos e tons pastel são algumas marcas registradas da marca homônima da estilista, que acrescenta uma visão moderna e ousada para códigos antigos.

Abigail Ajobi

Abigail Ajobi – Foto: Reprodução/Instagram/@abigailajobi

Designer e diretora criativa de sua marca homônima, Abigail Ajobi se formou na London College of Fashion, em 2019, com estudo anterior na Central Saint Martins. Em 2020, criou uma marca, com foco no streetwear de luxo, que busca destacar questões sociopolíticas por meio de seus designs.

Com o objetivo de trabalhar de forma mais consciente, Abigail usa apenas materiais descartados pela indústria da moda (como tecidos e peças não vendidas) para criar peças únicas. Para ela, é muito importante que seu trabalho seja sustentável, por isso, brinca com diferentes funcionalidades em suas criações, que podem ser usadas de maneiras diversas.

Supriya Lele

Supriya Lele – Foto: Reprodução/Instagram/@supriya_lele

Em 2016, Supriya Lele fundou sua marca homônima, após finalizar sua graduação na Royal College of Art, na Inglaterra. A designer indiana-britânica foi finalista do prêmio LVMH, em 2020, com uma coleção que olha para o passado colonial entre a Inglaterra e a Índia e inspira-se na mistura das raízes da designer – tendo, pela primeira vez, os temas apresentados pela perspectiva feminina.

Com Helmut Lang e Margiela como suas principais referências, transparências e recortes inusitados se tornaram elementos característicos de seu trabalho.