Foto: Reprodução Harper's Bazaar Brasil de março
Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Brasil de março

Por Christine Whitney

Este ano marca o 30º aniversário da primeira coleção de Dolce & Gabbana e vocês trabalham juntos há ainda mais tempo. Qual é a receita para uma parceria de sucesso?

STEFANO GABBANA: Respeito – amor e respeito.
DOMENICO DOLCE: Isso pode parecer estranho, mas é também o fato de que discutimos muito. Raramente concordamos. Mas é desse desacordo inicial que nascem nossas ideias, porque precisamos encontrar uma que agrade aos dois, uma ideia que expresse minha visão e também a de Stefano.
SG: Não concordamos na maior parte do tempo. Brigamos muito. Brigamos por causa de uma cor ou uma minissaia.
CW: Quão curto é curto demais?
SG: Não existe curto demais. Mas também amo saias longas. Dolce & Gabbana é como preto ou branco – qualquer coisa pelo meio é difícil.
CW: Sua coleção de primavera foi inspirada pela Espanha. Qual o próximo destino?
SG: Quanto você me dará por essa informação?
DD: O que sabemos é que a Sicília sempre estará lá…
CW: Quais são as três palavras que dizem “Itália” para você?
SG: Paixão! E também comida e moda.
DD: Família, amor e excelência.
CW: Conseguem se imaginar morando em outro lugar?
DD: Não sei.Amo Nova York, mas nunca vivi minha vida cotidiana em uma cidade que não fosse Milão.
SG: Amo Londres. Os britânicos são pessoas de extravagância mais autêntica. Está no jeito que andam, no jeito que se vestem – foram os primeiros a usar pele sem meia-calça. A comida não é tão famosa, mas eles servem um rosbife muito bom nos jantares de domingo.

Foto: Reprodução Harper's Bazaar Brasil de março
Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Brasil de março

CW: Vocês estão patrocinando a exposição de figurinos do Tirelli Atelier, em junho, em Nova York. Quais foram os primeiros filmes italianos que impressionaram vocês?
DD: Foram os filmes de Visconti. Quando era jovem, me matriculei em aulas de cinema e as obras dele foram as primeiras exibidas. A exposição é uma seleção dos figurinos que o Tirelli Atelier criou para filmes, e, entre eles, muitos ganharam o Oscar.
SG: Quando começamos uma coleção, decidimos, como fazem os diretores, qual será a história, o título… A modelo é a atriz. O vestido é o figurino.As pessoas precisam de uma história, porque moda verdadeira é difícil de se achar atualmente. [É fácil encontrar] coleções horríveis e roupas horríveis. Precisa- mos dar uma sensação ao público. Lembro-me de assistir Hércules, La Dolce Vita, O Leopardo – muito italiano, cômico e trágico ao mesmo tempo. Em nosso país, todo filme conta a mesma história: amor, paixão.Começam bem e terminam em desastre. Italianos são como os espanhóis – drama, drama, drama.
CW: Vocês lidam com muito drama na vida?
SG: Não sei – você precisaria me filmar.
CW: Quem interpretaria vocês em um filme?
SG: Talvez eu mesmo! Fizemos aparições, mais recentemente com Woody Allen, e, antes disso, em Nine, com Daniel Day- Lewis. Fizemos o papel de padres. Meu sonho, quando eu era muito pequeno, era ser ator.
CW: Você teria sido bom.
SG: Tenho uma vida boa, mas, se me chamassem, eu diria sim.
DD: Honestamente, não tenho uma resposta.Talvez seja por- que não consigo imaginar um filme sobre nossas vidas.

Foto: Reprodução Harper's Bazaar Brasil de março
Foto: Reprodução Harper’s Bazaar Brasil de março

CW: Que estrelas vocês mais admiram?
DD: Eu amo atrizes italianas – mulheres com personalidades fortes, como Anna Magnani e Sophia Loren.
SG: Já trabalhamos com Isabella Rossellini, Monica Bellucci e Madonna. No começo, estávamos em Turim para assistir ao show de Madonna e sonhamos que um dia ela vestiria nossas roupas. Depois, achei uma foto dela de Dolce & Gabbana. Toquei o céu com os dedos. Nossa primeira reunião foi em Nova York, em um restaurante italiano na 17th Street. Eu estava muito nervoso – estávamos esperando por nosso ícone! Na época, ainda podia fumar dentro dos restaurantes, e eu estava suando e fumando um cigarro atrás do outro. Ela estava filmando Dick Tracy e chegou vestindo um terno masculino, com um pequeno chapéu. Apaixonei-me.
CW: Vocês estão entrando com mais força no mercado americano. Quais são os planos?
DD: Estamos abrindo lojas em cidades-chave, e passei dois verões viajando pelo país para entender melhor as pessoas, suas necessidades. Nova York, Los Angeles, Chicago, Boston – cada uma tem sua alma e seu povo, com gostos e desejos diferentes.
SG: Esse momento é algo particular para nós no mundo todo, celebrando nosso 30o aniversário. Então, estamos tentando nos reinventar. Como na famosa frase de O Leopardo: “Se quisermos que as coisas continuem como estão, as coisas precisam mudar.”

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