Pathy Dejesus: “tinha um décimo da visibilidade das modelos brancas”

Grávida de sete meses, a modelo é capa da Bazaar de maio

by Anna Paula Buchalla
Pathy Dejesus veste Dolce & Gabbana, com foto de Karine Basílio, edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Wilson Eliodorio e produção executiva de Ornaldo Casagrande. Agradecimento: Jorge Elias

Pathy Dejesus veste Dolce & Gabbana, com foto de Karine Basílio, edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Wilson Eliodorio e produção executiva de Ornaldo Casagrande. Agradecimento: Jorge Elias

A cena, no estúdio em que estavam sendo feitas as fotos de capa da edição de maio da Bazaar, atrai a atenção: gravidíssima de sete meses, Pathy Dejesus equilibra-se em uma das pernas, sobre as almofadas molengas de um sofá, entre poses, caras e bocas, como se a barriga (linda, e já bem grandinha) e o novo centro de gravidade estivessem ali desde sempre.

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Assim, sem medo, a modelo, atriz e DJ se diverte, e preenche o estúdio com sua graça, charme e simpatia. E, nada, nenhum resquício sequer de cansaço, típico do finalzinho da gestação.

Pathy não é mulher de mimos nem frescuras. Nascida e criada na periferia de São Paulo, começou a trabalhar cedo, ainda menina. Se, de um lado, seu talento e beleza abriram portas – foi modelo por 14 anos, numa época em que quase não havia negras nesse mercado -, de outro, era apontada no bairro pobre da Zona Norte como a garota da quebrada que deu muito certo.

Pathy Dejesus veste Dolce & Gabbana, com foto de Karine Basílio, edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Wilson Eliodorio e produção executiva de Ornaldo Casagrande. Agradecimento: Jorge Elias

Pathy Dejesus veste Dolce & Gabbana, com foto de Karine Basílio, edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Wilson Eliodorio e produção executiva de Ornaldo Casagrande. Agradecimento: Jorge Elias

Uma exigência extrema, de um lado e de outro. “Imagine ser apontada como uma das únicas modelos negras, e olha que estamos falando do começo dos anos 2000, e não de 1959″, diz Pathy. Ela se refere ao ano em que tem início a série “Coisa Mais Linda”, produzida pela Netflix, e na qual vive Adélia, uma das protagonistas.

Por uma dessas coincidências do destino (se bem que Pathy não acredita em acasos: “As coisas se encaixam quando estamos conectados com o universo”, ela diz), a trama versa sobre a superação e o fortalecimento femininos. Negra, pobre e mãe solteira, Adélia parte em busca de seus desejos.
Guardadas as devidas particularidades, essa é um pouco a história dela.

“É impressionante como, 60 anos depois, muito do que acontece hoje não está tão distante desse roteiro.” Pathy sentiu na pele o que é estar nesse lugar de “abre-alas”, o das mulheres que, corajosamente, desbravam caminhos para outras, fato extremamente bem conduzido no desenrolar da série.

Pathy Dejesus veste Dolce & Gabbana, com foto de Karine Basílio, edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Wilson Eliodorio e produção executiva de Ornaldo Casagrande. Agradecimento: Jorge Elias

Pathy Dejesus veste Dolce & Gabbana, com foto de Karine Basílio, edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Wilson Eliodorio e produção executiva de Ornaldo Casagrande. Agradecimento: Jorge Elias

“Eu não tinha um décimo da visibilidade que minhas amigas modelos brancas tinham. Enquanto elas faziam casting todos os dias, eu fazia uma vez na semana”, relembra, sobre seu início profissional. “Tive de começar do zero, até entender o meu alcance. Havia, e ainda há, muitas meninas na mesma situação que a minha, e que depositam suas esperanças em mim.”

É um tipo de representatividade que, segundo ela, vai além de capas de revistas, mas está no dia a dia, nas pequenas ações. “Procuro ajudar as pessoas ao meu redor, minhas amigas e minhas sobrinhas negras. O resto é consequência.”

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