Por Luigi Torre

A fórmula fashionista algum pode dizer que não conhece. É apenas variação de um mesmo tema. E um muito bem sucedido, diga-se de passagem. Para o verão 2016, a Saint Laurent, sob comando de Hedi Slimane, segue se apropriando dos guarda-roupas cotidianos e os trabalhando sob o máximo luxo. Desta vez o foco são minivestidos de renda ou transparentes, decorados com bordados e combinadas a jaquetas biker, parkas, bombers ou blazers. Sim, peças disponíveis em qualquer fast fashion, mas não com trabalhos de ateliês de alta-costura, não em couro de crocodilo dourado. E agora ainda com uma seção final com alguns dos melhores slipdresses da temporada (parte nova linha de alta-costura lançada pela maison).

Goste ou não, é preciso admitir que Slimane soube, como poucos e antes de muitos, capturar o espírito do seu tempo (o tal zeitgeist). Foi em 2013 que ele começou a colocar na passarela não a última versão do luxo, mas uma adaptação luxuosa daquilo – e quase exatamente aquilo – que via nas ruas das principais metrópoles do mundo: combinação de peças com aspecto vintage, com elementos algo rockers, uma pitada grunge e algo esportivo ou utilitário.

Fez, vendeu (muito) e agora há toda uma onda no mercado seguindo tais passos. É só pensar na abordagem de Alessandro Michele, na Gucci, do coletivo por trás da Vetements e, num caso mais extremo, de marcas realmente vanguardistas como Eckaus Latta, Vejas e Hood by Air. Cada um a seu modo, apresentam não (só) os reflexos e desejos do mercado de luxo, mas da realidade em que seus consumidores se encontram. Hoje o principal target das grandes marcas são a nova geração, que começa a usufruir de seu imenso poder de compra e se mostra imune a tipificações mercadológicas convencionais. Uma geração que se interessa menos pela celebridade vida perfeita e inatingível, e mais pelo que seus semelhantes estão vivendo – ou apenas usando.

Só resta saber se isso é moda ou marketing? Talvez ambos.