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Segundo round: Marcelo Sommer e seu retorno à moda

Estilista fala com exclusividade à Bazaar sobre suas duas parcerias planejadas para este mês

by Guilherme Rodrigues
A modelo Luciana Curtis, musa e amiga de Marcelo Sommer, com camiseta da coleção da Oliveira para Pair - Foto: Henrique Gendre/ Bazaar

A modelo Luciana Curtis, musa e amiga de Marcelo Sommer, com camiseta da coleção da Oliveira para Pair – Foto: Henrique Gendre/ Bazaar

Por Luigi Torre

Desde que se desligou da grife que levava seu nome, em 2006, e se despediu das passarelas, alguns anos depois, Marcelo Sommer nunca ficou parado. Na verdade, a lista de tudo que fez nesse meio tempo é bem ampla e diversificada.Trabalhou para outras marcas, prestou consultoria, editou revista, assinou figurinos, desenhou móveis, lançou coleções com rede de supermercado, loja de decoração e de fast fashion. E isso é só um resumo.“Mas era sempre para os outros, não criava nada para mim havia muito tempo.”Agora, não mais. A partir deste mês, as primeiras peças de roupa da Oliveira, marca de design do estilista, começam a ser vendidas com exclusividade na multimarcas Pair, em São Paulo.“É uma coleção pequena”, pontua.“Cerca de dez modelos de camisetas e moletons, com algumas variações de estampas e tudo em preto e branco, conforme a proposta da loja.”No mês seguinte, é a vez de o e-commerce Básico.com receber coleção-cápsula assinada pela label de Marcelo, parceria que se repetirá em novembro, com direito a desfile nas passarelas do SPFW.

Sim, o Sommer voltou. Igual só que diferente. Ou, melhor dizendo, atualizado. “Não tinha como ficar parado, a moda mudou, o mercado mudou, o mundo mudou”, comenta ele, sobre as transformações estéticas e estratégicas de sua nova empreitada.“O aspecto vintage, aquela coisa do passado, continua muito presente, pois é o que sou, faz parte do meu universo criativo. Mas, antes, tinha algo mais lúdico, tinha muito sonho, agora é mais real.” Sinais dos tempos. Depois de passar pelas equipes de Zoomp, Forum e Vila Romana, o estilista lançou marca própria em 1995, num momento em que a moda era sinônimo de mais imagem e menos negócio. Eram tempos de idealismos, desfiles que questionavam e almejavam mudar o status quo por meio de novas linguagens visuais e atitudes comportamentais. Sommer ganhou destaque com sua reinterpretação de tudo o que era retrô, apropriação de elementos do mobiliário doméstico, com as fortes influências do universo infanto-juvenil (referências e imagens não muito diferentes das que hoje viraram obsessão fashion com a Gucci de Alessandro Michele) e apresentações mirabolantes – muitas delas inesquecíveis.

Mas os valores agora se inverteram.“Quero ir mais devagar, aos poucos, com um crescimento orgânico, mais planejado e de acordo com as demandas de mercado”, explica Sommer, que vendeu sua marca homônima para o grupo AMC Têxtil em 2004 e se desligou dela dois anos depois.“Foram experiências valiosas, tanto com as minhas marcas, como com tudo o que fiz depois. Foram essenciais para eu me posicionar de maneira mais consistente.” E consciente, se nos permite. “Não quero ser gigante, não pretendo abrir loja, quero fazer tudo na medida certa”, completa. Daí esse começo focado em parcerias e alguns poucos pedidos sob encomenda, a exemplo de peças que amigos e clientes de longa data não cansam de pedir, como as calças de alfaiataria e os vestidos superfemininos. Bazaar aposta no sucesso. Afinal, mesmo em tempos práticos e de dura realidade, sonhar também é necessário.